Leoa no Doidivana

Maio 6, 2008 by pedrobiondi

Estes dias, o livro recebeu um comentário que me deixou muito contente e honrado. Foi da Ivana Arruda Leite, autora de Falo de Mulher e Ao Homem que Não me Quis. Está no blog dela, o Doidivana - confiram um trecho:

“O livro do menino (ele nasceu em 76) é impecável. O cara tem uma escrita diferente, cheia de invencionices linguísticas, sintáticas, morfológicas e poraíaforas. Mas não é coisa de ‘querer ser diferente’. O cara sabe o que está fazendo e faz com mucha propriedade.”

Aqui vai o link pra conferir o texto inteiro, “Dois gorgorejos”, em que a Ivana comenta também o novo livro da Luci Collin.

Diga-me com quem andas…

Abril 17, 2008 by pedrobiondi

… e te direi que um errinho de concordância está imortalizado nessa frase tão repetida.

Quatro décadas de sensibilidade

Abril 10, 2008 by pedrobiondi

Quatro décadas do trabalho de uma grande dama da arte (qualifico-a assim sem um pingo de dúvida) estão sintetizadas na exposição de Ely Bueno na Estação Pinacoteca.

São 45 desenhos e gravuras, amostra de uma obra marcada pela relação com a condição feminina e com o inconsciente. De força dramática e, ao mesmo tempo, de muita consistência técnica. Uma obra em constante reinvenção, sempre ao largo dos modismos.

Segundo a definição do crítico Fábio Magalhães, “os desenhos de Ely Bueno estão contaminados pelas suas vivências, exprimem aspectos íntimos de sua alma feminina e retratam lembranças guardadas em lugares recônditos da sua memória”.

A imagem acima não faz parte da mostra. Está na capa do livro A Máscara do Real, sobre a trajetória da artista, que será lançado lá.

Ely é minha madrinha - mas o elogio nada tem a ver com isso. Vão lá e comprovem, bróderes e sísteres.

A exposição vai deste sábado (12) até 15 de junho. Detalhes aqui.

Meu lado (meio) punk

Abril 8, 2008 by pedrobiondi

Se o Fim do Mundo vale um poema, por que não o seu meio? No fim das contas, o Meio do Mundo é uma espécie de fim-de-mundo, ou de findo-mundo.

Aqui vai uma letra que escrevi e que foi musicada pelo grande Flávio Dieguez – jornalista-poeta-sábio-cientista maluco e parceiro de composições, além de amigo querido.

Eu tinha até premusicado na cabeça. Era um hardcore duro feito pedra desidratada. Não comentei com o Flávio, pra ver o que dava. Saiu do violão algo bem interessante entre rock’n'roll, blues e folk acústicos. Uma gaita e um limãozinho completariam bem, quer me parecer.

O MEIO DO MUNDO

O meio do mundo

E eu tateio uma borda
Quem deu à luz o escuro
Quem forneceu a corda

Eu vou pro abismo
E quero companhia
Eu vou pro abismo
Mais dia menos dia

O preço não tem liberdade, o raso da cidade
O rádio que é relógio, o galo, a discórdia
A hóstia que engorda e acalma o pecado
São Pedro e o Diabo contando o pescado

Eu vou pro abismo
E quero companhia
Eu vou pro abismo
Procuro um atalho

O meio do mundo
Imagine na ponta
Quem deu leite à fome
Quem ninou a morta

O peso não tem gravidade, o grave da verdade
O ácido que é lógico, o ralo, a escória
A têmpora que encosta e esquenta a espingarda
São Pedro e o Diabo contando o pescado

Eu vou pro abismo
Me dê a mão, último amigo
Quero alguém pra se abismar comigo

De olho nos invasores

Abril 7, 2008 by pedrobiondi

O Instituto Hórus colocou na internet uma lista com 330 animais e plantas considerados espécies invasoras no Brasil. Pouca gente sabe, mas seres vivos exóticos (”estrangeiros”), incluindo microrganismos, podem causar grandes problemas quando introduzidos num local.Rã-touro (foto de Magno Vicente Segalla)

No plano mundial, várias espécies foram extintas por causa dessas introduções, que subvertem uma seqüência de milhões e milhões de anos de processos naturais. Sem falar em prejuízos bilionários.

As trocas de fauna e flora entre as diferentes regiões, e ao mesmo tempo o isolamento de determinadas populações, resultaram da conformação dos acidentes geográficos e do clima, a partir da acomodação dos continentes. Trata-se de um processo fundamental para a formação da biodiversidade, isto é, o leque de seres vivos em cada parte do planeta.

Com os navios, aviões, carros e afins, e com as atividades humanas, as trocas desse tipo se aceleram cada vez mais. E colocam em cada local cartas (como a faminta rã-touro acima) que nunca estiveram no baralho natural dali.

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Like a dead duck

Abril 6, 2008 by pedrobiondi

Pesquisadores do MIT constataram que o VT (tônus vital, pela sigla em inglês) de um brokenhearted corresponde ao de um pato morto.

Assim, não obstante inusitada, provou-se verdadeira a expressão de língua inglesa “feeling like a dead duck”, imortalizada pela banda Jethro Tull (os registros não esclarecem se a imagem foi cunhada pela banda ou a precede).

Também descobriram os cientistas que o riff “cangancangangangan”, com a respectiva paradinha, consolidou-se como dublê semântico da citada metáfora – ou seja, seu perfeito substituto. No experimento, voluntários fizeram associação espontânea e imediata entre o toque de guitarra e as palavras, e vice-versa.

Coisas da semiótica.

… uma pausa de mil compassos…

Abril 5, 2008 by pedrobiondi

Quem sabe de tudo não fale
Quem não sabe nada se cale
Se for preciso eu repito

Porque hoje eu vou fazer
A meu jeito eu vou fazer
Um samba sobre o infinito

Devia estar na Declaração Universal:

Todo homem tem direito a uma semana ouvindo Paulinho da Viola após cada jornada pesada de trabalho e/ou militância.

Ou um dia por semana…

Revisão

Abril 4, 2008 by pedrobiondi

Bote aí Regime Militar – maiúscula.

coturno_verde1.jpg

Senão vão pensar que é coisa pra general gordo.

 

Assinatura contra a escravidão

Abril 3, 2008 by pedrobiondi

logo_assinatura.jpgNo site da ONG Repórter Brasil é possível participar de abaixo-assinado a favor de uma proposta de emenda à Constituição (PEC) que reforça a luta contra o trabalho escravo.

A proposta (número 438, de 2001) prevê o confisco de terras onde essa prática criminosa foi encontrada e a destinação delas à reforma agrária. Conta com o apoio de várias entidades, mas no Congresso encontra resistência de parlamentares ligados à agropecuária. Recentemente, segundo reportagem, foi identificada numa reunião dessa bancada como um dos projetos que o setor precisa derrubar.

A PEC passou pelo Senado em 2003 e foi aprovada em primeiro turno na Câmara dos Deputados em 2004. Desde então, está parada, aguardando votação.


Uberaba 15 minutos

Abril 1, 2008 by pedrobiondi

No banheiro encontrou o tiro já encaixado, azulejo e tudo. A testa era sua. O frio era seu, terceiro olho. Espelho rachado com terror. A flor do buraco como se tudo escorresse de dentro para fora, tudo o que ele fôra e seria, num Big Bang particular de irrepetíveis luzes. Em penumbra, tentasse adivinhar os corpos de mulher no morno dali. Corpos que rareavam, apesar de muitas. O escuro. Mulheres que arareavam sobre o gordo que roncava. O Cometa sempre assim meio promíscuo, anfíbio, inspiros e expiros sem dono. Vagas poltronas. Num berro sem testemunha, achou rumo do terreno baldio, enquanto os suvenirs faziam dominó em seu encalço, chifres/chicles/santas/havaianas/doces/lobos/caras/couros/chavei-
ros/isqueiros/morteiros/padres/catedrais/pães de açúcar/tiros de sal/ovos/cristais/chapéus/bancas/trocos/motoristas/mortos e o mico do posto que arrebentou a corrente e veio arreganhado pra cima. Atleta de coliseu, esquálido gladiador, feijão de terra rachada, marido da precariedade, músculo do ódio, marionete sem devir, aposta de uma nação, o filho da puta, faca de lamber garganta, irara no galinheiro do caos, orgulho do padrasto, herói varado de cãibras, fome que preenche tudo, pingo no infinito branco, fruto do sistema, erro de cálculo, vivente que não desistiria de ser, saudade da mãe e das tias, pular as bocas-de-lobo bocas-de-sapo bocas-de-leão e a grama de fogo. Sem parar, um lugar pra nunca mais ter nome.

 

 

“Uberaba 15 minutos” é um dos 20 contos do meu livro (há mais informações neste site, no canto superior direito de quem vai). Foi publicado também na antologia Todas as Gerações – o conto brasiliense contemporâneo (LGE, 2006), organizada por Ronaldo Cagiano.