Leoa comentada em versos

Junho 15, 2009 by pedrobiondi

Estes tempos, o livro que dá nome a esta página recebeu elogio que me deixou alegre e orgulhoso. Foi do jornalista e poeta (e amigo) Ricardo Jacomo, do Rio. Ele é autor de O Homem Voador, lançado pela Ibis Libris em 2005.

Já é um gosto quando um escrito nosso recebe uma crítica favorável. Quando o resultado é um diálogo em verso, cheio de musicalidade como o que reproduzo logo abaixo, a sensação é de troca de passes, 1-2 dos bons, calcanhar e tudo, rumo ao gol…

O poema-comentário do Jacomo:

Cá em casa há tempos cheirava a leoa
Desculpas cotidianas mil coisas blábláblá infértil relutavam a me deixar cafungá-la
Li Paulinho no livro e lembrei que meu tempo é outro, e ele às vezes ignora os outros
Mas quando fico pronto, de bate-pronto me apronto na arquibancada pra reconhecer o craque
Vendo a desenvoltura dele parece fácil, pareço fóssil
Quinze do segundo tempo, o jogo já tá ganho, quero saborear, oleolelear retardando o apito
Biondizo o poema e atexto, texto, texto, texto…
Sou solidário e admiro o amigo, elejo, cobro e agradeço
Faça outros, criaste apreço.

Aproveito e publico aqui outro poema recente dele – igualmente pleno de ritmo e imagens saborosas. Este, sobre o nosso ofício/bênção/maldição.

Salve, palavra!

Jogue o bote, poesia salva-vida
Respire pertinho da minha boca
Dê o crédito para quem se endivida
Ceda amor ao animal que se entoca

Cante o mantra, meditação-poema
Solte a âncora, palavra libertadora
Desamedronte se o medo for o tema
Mande amor e o burocrata perde a hora

Toque o alarme, incendiária letra
Clame à força dos seres pirofágicos
Faça a festa, que eu entro de penetra
Traga amor pros bichos melodramáticos

Dance o rito, verso do encantamento
Conte a fábula, deslumbre a platéia
Transo em transe e assim me contento
Doe amor que a bússola desnorteia

Mexa a massa, verbo-batedeira
Bata o bolo com a força de um bardo
Peça arrego, nega, mesmo que não queira
Mire o amor que eu lhe enveneno o dardo

Beba o ébrio, dicionário do deslumbre
Busque sol, fuja da névoa que avança
Seja assim, moça, tudo. E relembre:
Siga o amor que eu prometo recompensa

Para ler o que outros autores escreveram sobre Cheiro de Leoa, clique aqui. O olhar de Marcelino Freire, Wilson Bueno, Laerte, Ivana Arruda Leite, Nelson de Oliveira, Carlos Eduardo Faraco, Flávio Moura, Nahima Maciel, Chico Aguiar e Flávio Dieguez.

Você percebe que ficou muito tempo sem postar…

Junho 15, 2009 by pedrobiondi

quando, ao entrar na área de administração de seu blog, o bichim:

a. morde sua mão ou a barra da sua calça;
b. abre o berreiro no seu colo ou constata: não é a mamãe;
c. está acabando de fechar as malas de mudança pra casa da mamãe;
d. conduz a uma tela de game over;
e. está todo autografado por pichadores virtuais;
f. exibe um registro de tombamento pelo Iphan;
g. está ressequido, com as folhas amareladas e os galhos curvados qual cabo de guarda-chuva;
h. ganhou uma placa de “Sob nova direção”;
i. dá um pinote estilo cavalo da Ferrari quando você vai selá-lo;
j. foi posto à venda, baratim, num sebo;
k. chama com naturalidade, enquanto lava a salada, um nome que não é o seu;
l. dá traço no ibope e/ou no ecocardiograma;
m. criou um amigo imaginário;
n. tem mais erva-daninha que alface;
o. dá aquelas rateadas de carro em filme de terror;
p. mudou toda sua decoração;
q. só toca Raul;
r. está lacrado por uma fita amarela que traz um comunicado com os dizeres “Lei Azeredo – don’t cross”;
s. é agora guardado por flanelinhas;
t. encontra-se presidido por algum eminente nome da família Sarney;
u. está sendo inundado por uma barragem de hidrelétrica do PAC;
v. foi comprar cigarros;
x. tira automaticamente o acento de “vôo”, “idéia” e “pêlo”;
w. cospe uma lata (cheia) de Coca-Cola;
y. passou a ser autogerido pelos (03 a 06) leitores;
z. para seu júbilo e seu espanto, pula no seu colo ou para de chorar ou abana o rabim em visível alívio.

Leia mais aqui sobre essa criatura misteriosa e cativante chamada blog.

Desenhos e gravuras de Angela Leite na USP

Maio 21, 2009 by pedrobiondi
"Mocó", gravura de Angela Leite

"Mocó", gravura de Angela Leite

De 27 de maio a 08 de junho, trabalhos da artista vão compor a mostra “Trilha Natural Brasileira”.

São 23 desenhos recentes e inéditos e 37 xilogravuras, representativas de suas quatro décadas de carreira.

Comentei a linda obra de Angela – mãe deste orgulhoso pastor de zebras – no texto “Nossos bichos e plantas vertidos em arte”.

A exposição é no Instituto de Biociências da USP. Abertura dia 26, às 19 horas. O caminho-das-pedras taqui no Overmundo, onde é possível votar para manter o texto de divulgação em destaque.

Autodefinições

Maio 16, 2009 by pedrobiondi

Em geral, elas vêm

de alguém que não conhece bem nossas qualidades e nossos defeitos.

Sabadão com boa literatura

Maio 15, 2009 by pedrobiondi

Neste sábado, José Rezende Jr. lança em Brasília Eu Perguntei pro Velho se Ele Queria Morrer (e Outras Estórias de Amor).

É o segundo livro do Rezende, contista (e cronista, e jornalista…) de primeira. O de estreia, A Mulher Gorila e Outros Demônios, está disponível para baixar no site dele. Desse, adoro especialmente “Os bichos” e “Não passarão”.

O lançório tá marcado pras 20h, no Café com Letras (203 Sul).

Problemitos hodiernos

Maio 12, 2009 by pedrobiondi

Abçs sem carne

Bjs sem língua

E agora voos sem asa

E ideias pálidas

Classificado

Maio 11, 2009 by pedrobiondi

Blogueiro homem procura img de família de quero-quero tirada BSB. Pref. foto c/ trator em canteiro da Espl. Ministérios.  Uso p/ texto. Recompensa-se bem (i.e., c/ crédito e um mto-obrigado). Interessados p.f. contatar esta pág.

(Urgente) Eu, você e a Lei Rouanet

Maio 4, 2009 by pedrobiondi

Está no ar uma consulta pública para mudar a Lei de Incentivo à Cultura (8.313, mais conhecida como Lei Rouanet). Na verdade, chega aos seus dois últimos dias o recebimento de propostas para aperfeiçoar o projeto de lei formatado pelo Ministério da Cultura. Quem quiser opinar tem até depois de amanhã (quarta, 6) pra isso. O blog oficial do assunto traz várias informações para embasar a participação.

Também está acessível uma petição online (isto é, um abaixo-assinado na internet) de apoio à mudança na lei. Essa ficará disponível por mais tempo. Foi assinada, entre outras pessoas, pelo diretor de teatro Marco Antonio Rodrigues, do Folias d’Arte, de São Paulo. Outros que já se manifestaram pró-nova lei foram a cantora Beth Carvalho, o coreógrafo Ivaldo Bertazzo e o compositor Lula Queiroga (artigo conjunto na Folha de S.Paulo, reproduzido no link da petição), além dos músicos Carlinhos Brown e GOG.

A proposta tem opositores de alta tonelagem: as Organizações Globo e parte de seus atores-medalhões, alguns dos jornais de maior circulação, grandes produtores do Rio e de São Paulo, institutos culturais ligados aos bancos, a turma do “teatrão” mais comercial. A galera que derrubou a ideia da Ancinav, lá no começo da gestão Gilberto Gil, com alguns novos aliados e fortes consultorias contratadas. Retomam a mesma ladainha , uma sirene contra o “dirigismo”, a “intervenção estatal”. Dizem que a alteração vai “jogar fora a água da banheira com o bebê junto”, porque a lei em vigor funciona e só precisaria de ajustes.

Terrorismo para deturpar a proposta. É verdade que ela busca dar maior poder de decisão ao Estado (em relação ao mercado) sobre o uso desses recursos, mas a gestão disso será compartilhada com a sociedade civil: nos novos fundos propostos, específicos para algumas linguagens artísticas ou finalidades, os projetos serão avaliados por comitês envolvendo governo e especialistas da sociedade, como já acontece hoje na comissão que decide se um projeto pode captar recursos via renúncia fiscal. E, frise-se, é dinheiro público, mesmo no caso desse mecanismo, em que o governo abre mão de receber parte do imposto devido por uma empresa, que usa então tal dinheiro para apoiar uma iniciativa cultural. Não há nada de errado, portanto, em zelar por um uso mais democrático e representativo de nossa diversidade cultural nesse caso – o que está, aliás, em consonância com o Plano Nacional de Cultura, amplamente discutido em todo o país e de cuja elaboração me orgulho de participar.

O texto não extingue o chamado mecenato via renúncia, como algumas das vozes contrárias mentirosamente afirmaram. Por esse caminho, as empresas poderão continuar escolhendo os projetos nos quais investir. Mas são previstas novas faixas de “desconto” fiscal além das duas atuais (30% e 100%), conforme critérios – também em consulta – como inovação de linguagem e potencial inclusivo. E a intenção é reduzir o peso dessa forma de apoio na política de financiamento, bem como melhorar a distribuição regional. Além do reforço do Fundo Nacional de Cultura e da criação dos já citados fundos setoriais, o projeto traz novas fontes de recursos, como o Vale Cultura, voltado tanto a propiciar que mais trabalhadores frequentem peças, shows, filmes e exposições como a injetar um novo gás na economia do setor.

Sou favorável à mudança, e não é por trabalhar no MinC. A meu ver, contra os números que o ministério expôs não há argumentos. Pelo mecanismo de renúncia, o principal da Rouanet, 80% dos recursos se concentram na região Sudeste (e quase tudo no Rio e em Sampa). Metade dos recursos é usada por 3% dos proponentes. Só um décimo do valor que entra (mais de R$ 1 bilhão) consiste efetivamente em desembolso dos “patrocinadores”. E muitos dos espetáculos bancados por dinheiro de impostos cobram ingressos proibitivos, acentuando a elitização do acesso à produção artística.

Bom, para permitir a reflexão, passo aqui o caminho para a opinião de um dos críticos do projeto mais ouvidos pelos veículos jornalísticos, o consultor cultural João Leiva Filho. Se ele e outros buscam frear o redirecionamento, afirmando que as distorções de hoje são pontuais e contornáveis, há, por outro lado, dissonâncias no extremo oposto: artistas e produtores que pedem o fim da concessão de incentivo fiscal como política pública, argumentando que gera acomodação dos beneficiários e que atribui indevida legitimidade ao mercado.

Seja qual for, é preciosa, neste momento, a manifestação de cada um que faz ou curte cultura, para melhorar o novo texto (que certamente não é perfeito) e dar força a ele no Congresso Nacional. Ter condições de produzir cultura e saborear seu resultado, o que nos torna mais humanos, é um direito de todos nós, reiterado na Constituição. Quem quer manter tudo como está – um quadro que não efetiva esse direito – não brinca em serviço, como já foi anteriormente demonstrado.

Para botar meu chapéu de volta, tomo a liberdade de parafrasear aquela  palavra de ordem: “Você aí parado/Também não é contemplado!/Você aí parado/Também não é contemplado!”…

Sessão Adolescência

Maio 1, 2009 by pedrobiondi

Wolverine Espectador se pergunta Se os mutantes não estão do lado de cá da Tela Nas cadeiras Eventualmente Pulando Nelas

Orientação expressa em placa de mictório do Aeroporto de Congonhas:

Abril 25, 2009 by pedrobiondi

“Não toque em nada”.

Considerada a disposição ombro-com-ombro dos usuários, temos mais um item pra coleção de ready-mades