Archive for the ‘Leitura compartilhada’ Category

Sobre o horror deflagrado

26/04/2012

Imagem

Quem tem mil imagens, que valem milhão de palavras, para o horror deflagrado pelo nosso Congresso Nacional ontem é o genial Caulos.

Como ele tá de site em construção, segue link no Google pra algumas das ferozes e sublimes charges do cabra. Todo modo, já aproveito pra deixar o endereço da futura casa dele.

Voltando à ordem do dia, desta vez nem sequer se pode dizer que foi na calada da madrugada. Como diria o legendário Kurz, naquele estertor cavernoso que vale um milhão de manifestações, “The… horror…”

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Muito boa, do Dahmer

02/09/2009

2009_09_02_dahmer_televisao

Será que quem criticou
“a juventude que
só fica pendurada
na internet” viu esta?

Leoa comentada em versos

15/06/2009

Estes tempos, o livro que dá nome a esta página recebeu elogio que me deixou alegre e orgulhoso. Foi do jornalista e poeta (e amigo) Ricardo Jacomo, do Rio. Ele é autor de O Homem Voador, lançado pela Ibis Libris em 2005.

Já é um gosto quando um escrito nosso recebe uma crítica favorável. Quando o resultado é um diálogo em verso, cheio de musicalidade como o que reproduzo logo abaixo, a sensação é de troca de passes, 1-2 dos bons, calcanhar e tudo, rumo ao gol…

O poema-comentário do Jacomo:

Cá em casa há tempos cheirava a leoa
Desculpas cotidianas mil coisas blábláblá infértil relutavam a me deixar cafungá-la
Li Paulinho no livro e lembrei que meu tempo é outro, e ele às vezes ignora os outros
Mas quando fico pronto, de bate-pronto me apronto na arquibancada pra reconhecer o craque
Vendo a desenvoltura dele parece fácil, pareço fóssil
Quinze do segundo tempo, o jogo já tá ganho, quero saborear, oleolelear retardando o apito
Biondizo o poema e atexto, texto, texto, texto…
Sou solidário e admiro o amigo, elejo, cobro e agradeço
Faça outros, criaste apreço.

Aproveito e publico aqui outro poema recente dele – igualmente pleno de ritmo e imagens saborosas. Este, sobre o nosso ofício/bênção/maldição.

Salve, palavra!

Jogue o bote, poesia salva-vida
Respire pertinho da minha boca
Dê o crédito para quem se endivida
Ceda amor ao animal que se entoca

Cante o mantra, meditação-poema
Solte a âncora, palavra libertadora
Desamedronte se o medo for o tema
Mande amor e o burocrata perde a hora

Toque o alarme, incendiária letra
Clame à força dos seres pirofágicos
Faça a festa, que eu entro de penetra
Traga amor pros bichos melodramáticos

Dance o rito, verso do encantamento
Conte a fábula, deslumbre a platéia
Transo em transe e assim me contento
Doe amor que a bússola desnorteia

Mexa a massa, verbo-batedeira
Bata o bolo com a força de um bardo
Peça arrego, nega, mesmo que não queira
Mire o amor que eu lhe enveneno o dardo

Beba o ébrio, dicionário do deslumbre
Busque sol, fuja da névoa que avança
Seja assim, moça, tudo. E relembre:
Siga o amor que eu prometo recompensa

Para ler o que outros autores escreveram sobre Cheiro de Leoa, clique aqui. O olhar de Marcelino Freire, Wilson Bueno, Laerte, Ivana Arruda Leite, Nelson de Oliveira, Carlos Eduardo Faraco, Flávio Moura, Nahima Maciel, Chico Aguiar e Flávio Dieguez.

Nossos bichos e plantas vertidos em arte

19/09/2008

Precisão quase científica no traço com graça artística e uma ligação profunda com a natureza. Animais que, sem ser humanizados, mostram sua afetividade e sua individualidade. A tradição da gravura honrada com maestria e precisão. Seres vivos muito além da taxonomia. Beleza extraída da paciência da madeira. Breves anotações que já escrevi sobre a obra da minha mãe, Angela Leite, e que estão muito longe de dar uma idéia sobre o conteúdo que ela produziu ao longo de quatro décadas de arte e militância. Melhor conferir no site que – anuncio com alegria e orgulho! – acaba de ir pro ar: www.angelaleite.com.br. Publico também, logo abaixo, o texto de divulgação que fizemos sobre a trajetória dela.

Site de Angela Leite traz fauna e flora em exposição permanente

Xilogravuras e desenhos traduzem quatro décadas de arte em defesa do meio ambiente

A artista plástica Angela Leite passa a ter sua obra disponível na internet. Na página www.angelaleite.com.br estão reunidas quase 200 gravuras e desenhos, frutos de quatro décadas voltadas à arte e à defesa do meio ambiente.

No site, onças, borboletas e papagaios de todos os naipes circulam entre jequitibás, cedros e variadas palmeiras, enquanto baleias, golfinhos e tartarugas-marinhas experimentam o oceano.

Ali também estão depoimentos e textos críticos sobre a obra e o engajamento da artista. Entre eles, de Ibsen de Gusmão Câmara, Álvaro Machado, Carlos Von Schmidt, Antonio Carlos Abdalla e Aloysio Biondi (confira alguns ao final destas páginas).

Em seus 40 anos de carreira, Angela Leite trabalhou sobretudo com a xilogravura, a gravura em madeira. Realizou também diversos desenhos com lápis de cor e com nanquim. Para ampliar o diálogo entre arte e rigor científico que marca sua obra, ela recorre a pesquisadores e à literatura especializada, além de dedicar-se à exaustiva observação dos animais em seu hábitat ou em cativeiro. As árvores passaram a fazer parte de sua obra em 1996.

“Liberado das imposições da função descritiva e documentária, o desenho de bichos pode adquirir uma nova dimensão, humana e participante”, anotou o zoólogo Paulo Vanzolini, sobre a obra da artista. “A forma despojada e íntegra, o detalhe extremamente bem dosado, a compreensão da identidade do animal, contribuem para que seja transmitido um sentido da unidade fundamental de tudo o que vive, não apenas conceitual e filosófico, mas também com limpa emoção.” O crítico Olívio Tavares de Araújo destaca “um desenho seguro” e “um corte impecável”, e conclui: “Angela consegue jogar majestosa e claramente seus bichos no espaço”.

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Mais um

13/09/2008

Renata Rosa não é mais uma. A mulher pernambucou Brasília: alagoou. Botou ponte entre Planalto Central e Baixo São Francisco. Samba-de-coco e rock and roll indígena cantados de olhos fechados (ou eu que estava de olhos fechados?), com punch e lirismo, entre violão rascante, rabeca e percussão negra ou cabocla. Éramos 500? Fôssemos. O poeirão vermelho subiu rodando, preencheu cada pulmão e compactou um corpo único dançante, telúrico e aéreo. Uma inacreditável rosa foi desenhada por uma complexa ciranda. Os fotógrafos ganharam o dia quando ela desceu para a capoeira. Entre camisetas de Pernambuco e do Flamengo, as flores liquidificando os vestidos. E, pedindo bis, morremos todos – de som, alegria e terra seca.

Bate-papo com Nicolas Behr

31/08/2008

Hoje, às 20h30, na Feira do Livro, no Pátio Brasil.

Os poemas curtos dele são o que de mais certeiro li sobre esta ilha aqui. Mas não param aí: mirando Brasília, tratam sobre amor, burocracia, solidão, babaquice, cegueira, autoritarismo. E sobre a relação entre homem e natureza, que expõe tão bem tudo isso.

Aliás – só me toquei disso hoje, ao reler suas coisas – vem da obra dele a imagem de cidade-maquete, que adotei como retrato de Brasília.

Nicolas, um dos expoentes da dita “geração mimeógrafo”, teve finalmente seus 30 anos de poesia reunidos em Laranja Seleta, lançado ano passado. Seguem seis dos meus poemas preferidos:

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Risco-poeta

30/08/2008

Sentir a dor

que deveras finge

Mar que arrebenta

14/08/2008

É o subtítulo do livro de contos Rasif, que Marcelino Freire lança amanhã, digo, hoje, com gravuras de Manu Maltez.

A esta hora da madruga (01:24, digo, 01:33), o que posso dizer é que são dois artistas que recomendo, além de amigos queridos. E uma bela dupla. Pude ver, rapidamente, as provas quase finais do livro e o achei impactante.

Assim que tiver o livro nas mãos, devorá-lo-ei qual Jânio Quadros a Leonardo Di Caprio, como diria Djavan. Ou bebê-lo-ei, dado que é mar. E registrarei minhas impressões aqui.

Mais duas semanas para ver a obra de Ely Bueno

04/07/2008

Foi prorrogada até o dia 20 a exposição da artista plástica, que já comentei aqui, na Estação Pinacoteca, em Sampa.

Vale muito a pena. A mostra está bonita, representativa da obra dela. Tem nanquins, do início de carreira, que resultam de uma verdadeira teia de grafismos; litogravuras mais minimalistas e que compõem uma espécie de natureza-morta da vida doméstica; delicados desenhos de observação; outros que mergulham no surrealismo e trazem referências à linguagem dos quadrinhos. E retratos e nus, gêneros em que ela é craque.

Acho que só faltou um toque “cênico” na disposição dos trabalhos, coisa que Ely também faz muito bem.

Para uma exposição mais completa, ali estariam também belíssimas pinturas a óleo e interessantes recriações em que o mobiliário vira conceito ou mesmo personagem.

Deixo aqui mais um desenho como amostra da produção de Ely. E o link do onde/quando/etc. para os navegantes da paulicéia.


Quatro décadas de sensibilidade

10/04/2008

Quatro décadas do trabalho de uma grande dama da arte (qualifico-a assim sem um pingo de dúvida) estão sintetizadas na exposição de Ely Bueno na Estação Pinacoteca.

São 45 desenhos e gravuras, amostra de uma obra marcada pela relação com a condição feminina e com o inconsciente. De força dramática e, ao mesmo tempo, de muita consistência técnica. Uma obra em constante reinvenção, sempre ao largo dos modismos.

Segundo a definição do crítico Fábio Magalhães, “os desenhos de Ely Bueno estão contaminados pelas suas vivências, exprimem aspectos íntimos de sua alma feminina e retratam lembranças guardadas em lugares recônditos da sua memória”.

A imagem acima não faz parte da mostra. Está na capa do livro A Máscara do Real, sobre a trajetória da artista, que será lançado lá.

Ely é minha madrinha – mas o elogio nada tem a ver com isso. Vão lá e comprovem, bróderes e sísteres.

A exposição vai deste sábado (12) até 15 de junho. Detalhes aqui.


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