Posts Tagged ‘poesia’

Insônia

14/11/2015

Primeiro ligam os passarinhos

Daí, os carros

Quadrilha

23/02/2011
João pediu me add aê Teresa que acompanhava o passarim de Raimundo
que constava como segundo no brogroll de Maria que estava in love with Joaquim que convidou para entrar Lili
que não seguia ninguém.
João migrou para o Identi.ca, Teresa pro gabinete de Azeredo,
Raimundo queimou o HD, Maria ficou chat-tinha,
Joaquim se orkuticidou e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha sequer msn e era contumaz difusor de ppts de boas-festas.

De um banco defronte ao Fórum Silvio Romero (Paraty Blues)

04/02/2011

As andorinhas intrépidas
costuram pilotando o vento por entre os chuviscos

Um senhor recém-saído de algum lugar experimenta a amurada do cais
Enquanto alguém inquire o pescador sobre o que está dando

Dois cachorros camaradas
De temperamento distinto
Se revezam à frente de uma dona
Que não é deles

Dois jovens italianos conferem um mapa
E lamentam uma bússola;
Uma senhora indecisa leva o cinza
E por bem o arco-íris;
Vez por outra um cigarro
Põe o nariz pra fora das portas azuis

Três adolescentes de França passam se beliscando
Sem se dar conta da velha onça

O poema nasceu de idas anteriores. Desta vez, a cidade mereceu as fotos
que podem ser acessadas com um clique na imagem abaixo.

Foto: Pedro Biondi

Natal XXI

26/12/2010

As renas voam
Rumo à extinção
Os anões cobram por hora
Ninguém acredita em papai noel
No Jurídico da Coca-Cola

Rodoviária

22/09/2010

Os meninos aspirados pela luz da pipa,

Mariposas

Pedra fundamental, isso sim,

25/08/2010

é a de Drummond.

O resto é cascalho.

Cidade grande qualquer

06/08/2010

Um burro vai divagar

Aqui, no original.

Serapilheira, turfa (manifesto (e) silencioso)

17/07/2010

Pras cucuias o que disse a moça dura no flash de há 3 minutos
O que compraram as famílias do Natal mais bárbaro dos últimos x anos
O que limparam, inovaram, superaram, comemoram
Que se frite

A América pros americanos
Eles que são brancos que se explodam
Ou da cor que fossem
Nós todos

Que tudo redemunhe numa doce ascendente
E ao solo torne em helicóptera semente

E se amontoe, decante e decomponha em duas lindas palavras –

Serapilheira, turfa

Eu quero mais erosão, na voz de Lenine,
Menos granito
Bonito, também voto, é a ruína
Testemunha de acusação da transmutação
Dos arroubos dos homens de projetos
Em crônica faraônica
Em desvario decifrado
Em furto de futuro
E por que não era na época
Ou ninguém calou o profeta?

O tempo é o melhor tradutor
De cada nova moda do rei, uma a uma

Que tudo torne em húmus, esterco, insumo,
Minhas duas orgânicas palavras, serapilheira, turfa

Não é do pó ao pó: é do adubo ao adubo

Esse eterno Prometeu
E eu não prometi nada
Essa eterna Babel
E eu não vou carregar
NO PASARÁ
Esse complexo de puro-sangue
Concurso de sísifos
Esse incessante maquinar (d)o mundo

As marias-sem-vergonha que obram quietinhas nas nesgas
Do, sacro seja, Museu de Paranaguá
As epífitas nas brechas e nos sobres dos blocos de pedra
Das Missões dos sete povos
Os pombos que humanizam o Coliseu
O verde mormaço a derreter com arregaçadora determinação
O que foi o delírio amazônico de um Ford

[Vem mesmo feito rio a alegoria do ano amazônico
Que inunda, arrasta, arrasa, preda, defeca, empilha, multiplica e reinventa em mil cores
Sempre as mesmas
E assim, findos os noves, zera]

Tudo o que sentimos, criamos, construímos, sofremos, arrotamos ser,
Que se dane em folha, sumo, camada
Se submeta, humílimo, à lenta festa do chão
Porque, no fundo, é assim que é
E que um dia seja e ponto

Por isso me abraço
Nelas que me trazem
Serapilheira, turfa
Cheiro de gosto de tato
De rio, de chão, de fogueira, de cinza, de barro, de negação
Me deito
Brilho de água, pureza araguaiana, tapete de gravetos, ocaso rasgado
Escuto
Cascalho, caule, cascudo, garça, boi
Revivo como posso

No chão, o que de solo
No céu, algaravia
Posso escrever silêncio? E cor? E vida?

Gás, ponteiro, ponto, posto, prato
Hora redonda, hora-fração, escova, movimento em massa
Migração, corrida, faqueiro universal, calendário de festejos
Carro-forte, embornal, apetite, debate, sede da administração, juramento
Língua, divisa, deus-lhe-pague, partido, sorriso, coração figurado
Apresentação de gala, carta magna
Descendência
Tudo isso pra onde, caralho, esse dicionário, pra onde?

O antigo não passa de retrato amarelecido do novo
O que é bonito? O cantor pergunta, eu repito

E eu me apaixonei por essas palavras opacas e luzidias, minha ladainha, meu emplastro-antídoto pra tudo
E eterno retorno:

Serapilheira! Turfa!

Lançamento na quinta, 20

16/05/2010

É nesta semana o lançamento do nosso livro coletivo em homenagem ao cinquentenário da capital federal, 50 Anos em Seis – Brasília, Prosa e Poesia.

André Giusti, Fernanda Barreto, José Rezende Jr., Liziane Guazina, Nicolas Behr e eu bateremos um papo com os leitores no T-Bone.

Esta linda capa é do Bruno Schürmann, sobre foto de Patrick Grosner.

Detalhes no blogue do projeto: http://brasilia50anosem6.wordpress.com/

Brasília 24h

21/04/2010

05:59
Uma gangue de periquitos celebra minha insônia
Rasgando paina diante do janelão
(Como hão de fazer um dia com as almofadas
meus filhos e o incorrigível schnauzer Tempestade)

06:03
Brasília é areia que escorre de uma garrafinha
Ou pra dentro dela?

06:46
O sol balão escapa para sobre os ministérios
Que tentavam encaixotá-lo

07:00
Uma paineira ganha, justo quando você piscou, a peruca rosa para o tronco de espinhos:
Mas março mal começou!

18:36
O fotógrafo voa para o memorial
E consegue botar a lua na mão de JK

13h50
Um pombo pé-de-pirata
Joga pro estômago o fast-trash
Num Giraffas qualquer

11:55
Foi registrado o avistamento de um pedestre –
Vivo!
Viva!
Ao vivo!

18:50
Um fora-bush se maldivisa
No viaduto que a noite vai apagando

23:15
Figurinha parda carimbada
Beberibica o on-the-rocks
Cisca o pistache
E discute in-private a próxima
Invasão de luxo

11:00
POP!
IPÊ
BRANCO
PIPOCA

17:35
São pedestres, não há dúvida
E devoram uma Pajerinho em 20 s
(Fosse um Ka, pronto, bastavam 13)

12:00
Sol
E só:
Carne-de-sol

14:35
O mendigo, desperto:
Estarei eu no setor certo?

15h45
O PM comendo da mão de um dos quatro evangelistas de Ceschiatti
E eu perco a foto

18:01
Meu fusca segue carimbando o asfalto
E enviando manifestações de apreço ao Sr. Diretor
Como escreveu Nicolas Behr
A quem dedico este poema

08:40
Pulo pra dentro da zebrinha
Que, de vermelha
Quadrada
Sem listra
De zebrinha não tem nada

10:15
Arru-da-na-Pa-pu-da!
Pê-Ó-no-xi-lin-dró!

10:16
Capacetes
Cassetetes
Cascos

14h30
Taças tinindo
Talheres pra todos guardanapos fornos se abrindo
É domingo
E não há sinuca aberta
Se você não tem família aqui
Sei lá, negão

Aí tá sinucado

08:41
E sei que hoje treze me dirão
A seca neste ano vai ser braba
No ano passado meu nariz sangrou
Comprei um borrifador
Uso toalha molhada

03:17
Já todos dormem
Exceto Junior, filho do poder, que
Cabeça tinindo de coca
Pratica o esporte do rachão na ponte milionária

03:18
Exceto o pichador de monumentos
Que desde já assina
O Pichador de Monumentos

03:18
Exceto Galdino
Cuja alma arde insone
Enquanto a Justiça ronca

03:20
Exceto o deputado com o pescoço
Encaixado na guilhotina

15:55
Juraria ter visto um cachorro
Juro
Poderia

17:45
A Esplanada ganha paletas
Impressionistas
Naïfs
Lisérgicas
Mas há os alérgicos

 


Este poema está no livro sobre a cidade
que vamos lançar em maio
(eu, André Giusti, Fernanda Barreto,
José Rezende Jr., Liziane Guazina e Nicolas Behr,
com
design de Bruno Schürmann).
Mais informações aqui!


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