Archive for the ‘Entre Vistas’ Category

Jornalismo e literatura, jornalismo vs literatura

10/12/2008

A jornalista Marcela Heitor ouviu 21 autores, que se dividem entre as duas atividades, sobre a complementaridade ou oposição entre elas. As conclusões dos jornalistas-escritores, todos residentes no Distrito Federal, variam.

A partir do levantamento (sua monografia de graduação), ela montou um blog. Detalho ali minha opinião: jornalismo e literatura mantêm uma relação ora enriquecedora, ora conflituosa, pautada pelas riquezas e limitações dos dois trabalhos.

Entre os escritores que trabalhavam na imprensa, tivemos Euclides da Cunha, que tirou os subsídios para o clássico Os Sertões da cobertura sobre Canudos para O Estado de S.Paulo. Puxando rapidamente pela memória por nomes de outras nacionalidades, vem à cabeça Gabriel García Márquez.

Nos Estados Unidos, o new journalism diluiu as fronteiras entre os dois fazeres, e o intercâmbio de recursos renovou a ambos. Norman Mailer, Truman Capote, Tom Wolfe e Gay Talese foram expoentes da escola. Aqui, João Antônio transitou com brilho entre as duas pontas.

Além dessa questão, Marcela Heitor examina, no estudo, a existência ou não de uma “literatura brasiliense” e as possibilidades e dificuldades do mercado editorial daqui.

A matéria no Correio Braziliense

07/02/2008

Investigações sobre a linguagem

Nahima Maciel
Da equipe do Correio

Daniel Ferreira/CB
Em Brasília há dois anos,
o paulista
Pedro Biondi
estréia em livro

Pedro Biondi experimenta a narrativa como se passeasse por histórias fragmentadas, por pedaços de pensamentos de gentes quaisquer. Pesca aqui e ali o que parecem ser fluxos de pensamentos. Nem sempre há uma história clara e coesa. Ele cita o cartunista Laerte para explicar o porquê: “Ele fala sobre desenhar, mas pode se aplicar ao texto escrito. O assunto, o motivo muitas vezes acaba puxando a forma”. É, portanto, em forma de mosaicos que está construído Cheiro de Leoa.

O primeiro livro de Biondi pode ser descrito como uma pequenina colcha de retalhos. É prosa em diversos estilos, um pouco de poesia e um conjunto de minúsculas brincadeiras com a linguagem. Primeiro os estilos. Crônica ou conto definem os textos mais longos. Em alguns Biondi experimenta coragem e linguagem, caso do texto que dá título ao livro. Em “Cheiro de leoa”, o leitor é jogado dentro de uma caminhonete de savana em companhia do personagem cuja sanidade não se sabe ao certo por onde anda. Desfilam bichos – zebras, na verdade, e umas poucas leoas – e pensamentos sobre situações sensoriais. Há menos história do que experiência nessas sete páginas, mas a coisa muda à medida que se avança na leitura.

“Esses cosmos, nossoscosmos” vai por outro caminho, mais organizado. Dois sujeitos saem do cinema e entabulam uma conversa um tanto sem sentido, mas uma conversa. Mais adiante, “Mau” retoma o livre fluxo de consciência que caracteriza “Cheiro de leoa”. O autor parece caminhar pela rua como se fosse invisível e joga o leitor em situações rápidas e desconectadas. Ali, vê-se o quanto Guimarães Rosa foi importante para Biondi. “Na faculdade, era o que eu mais lia”, revela. “Ele teve grande influência na brincadeira com a linguagem porque faz uma arqueologia da língua portuguesa. Nos meus textos, essas brincadeiras com a linguagem, além de me divertir e, espero, ao leitor, acabam sendo espaço de retrato social e crítica, onde o texto vai mimetizar a maneira de falar de determinado personagem.” É mais ou menos o que faz Wilson Bueno na não-apresentação da contracapa. Já que linguagem aqui tem total relevância, melhor orquestrar com ela. É quase um miniconto o texto do curitibano. Uma resposta à leoa do título do livro.

Entre cada texto, Biondi intercalou pequenas frases, quase ditados. Ou microcontos. São como iscas para atiçar a curiosidade do leitor e fisgá-lo em direção ao próximo conto. O autor chama de tira-gostos. São também indícios de um desejo. Biondi anda querendo explorar o universo do miniconto. O formato de texto reduzido que perpassa Cheiro de Leoa, o autor admite, vem da fragmentação do mundo contemporâneo. “É a maneira como recebemos as informações”, explica. Ou então, no entendimento de Marcelino Freire na orelha do livro: “É só puxar pela respiração”.

Biondi, 31 anos, mora em Brasília há dois. Nasceu e cresceu em São Paulo, e obviamente estranhou a composição do Plano Piloto. O fato de ter nascido na maior metrópole da América do Sul não fez dele um autor especialmente marcado por temáticas urbanas, como boa parte de sua geração. “Sempre gostei de colocar o pé no chão”, brinca, lembrando dos finais de semana num sítio da família. Nos textos, a postura contemplativa se equilibra com reflexões sobre a cidade e suas agruras. Há espaço para zebras e leoas, mas também para diálogos entre traficantes em “Morro x asfalto” e até para um bem-humorado manifesto em favor dos sonhos. “Sonhadores do mundo, uni-vos (o Manifesto Sonhadorista)” não preenche uma página, mas convoca todos a “fazer xixi nas estruturas do Sistemex, levantando a perninha direita”.

Leoa no Correio Braziliense de hoje

06/02/2008

Saiu uma matéria sobre o meu livro, Cheiro de Leoa, na edição de hoje (quarta, 6) do jornal.

Fui entrevistado pela repórter Nahima Maciel, que me perguntou sobre urbano x rural, uso da linguagem e outros temas.

“Pedro Biondi experimenta a narrativa como se passeasse por histórias fragmentadas, por pedaços de pensamentos de gentes quaisquer”, escreve ela. “É prosa em diversos estilos, um pouco de poesia e um conjunto de minúsculas brincadeiras com a linguagem.”

A jornalista aponta um livre fluxo de consciência como denominador do conjunto de textos: “O autor parece caminhar pela rua como se fosse invisível e joga o leitor em situações rápidas e desconectadas”.

Está no caderno Cultura.

Quem sou eu

11/11/2007

Enquanto não consigo responder, indico aqui o caminho para a entrevista que dei a Marcelino Freire em 2005, exatamente na véspera de minha mudança pra Brasília.

Saiu na coluna De Olho Neles, sobre novos autores, no Portal Literal.

Estamos (jornalistas) tão acostumados a perguntar… Responder não é fácil.


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