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Terra de nosso CEO

17/10/2016
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Móveis Planejados de Acaju

30/05/2011

é o título de matéria minha publicada projeto Open Business II – Negócios Abertos América Latina sobre os Móveis Coloniais de Acaju.

A banda foi escolhida pelo Overmundo entre os exemplos de soluções inovadoras de organização, geração de material artístico e inserção na economia da cultura. E, realmente, ali parece se confirmar um sólido caminho alternativo, que é singular e ao mesmo tempo pode oferecer ideias para outros músicos e artistas em geral.

O foco do material é na economia da cultura, mas também pelo som deles vale conferir. Do que conhecia até aqui, eu tinha a impressão de uma banda criativa, original e cheia de energia, mas que às vezes se perdia um pouco na própria efervescência. O segundo (e atual) disco já achei bem interessante, parece que pelo amadurecimento – e pela contribuição do experiente produtor, o Miranda – eles dosaram melhor a “feijoada búlgara” nas composições e nos arranjos, o que realçou os sabores.

2 de julho

03/07/2010

E sepultar bem longe / O que restou da camisa…

Você não segue meu twitter…

13/11/2009

… mas sua filha segue.

Siga-a: twitter.com/pedro_biondi

Julinho “Buarque de Hollanda” da Adelaide
revisitado, ora pois pois.

Mais um

13/09/2008

Renata Rosa não é mais uma. A mulher pernambucou Brasília: alagoou. Botou ponte entre Planalto Central e Baixo São Francisco. Samba-de-coco e rock and roll indígena cantados de olhos fechados (ou eu que estava de olhos fechados?), com punch e lirismo, entre violão rascante, rabeca e percussão negra ou cabocla. Éramos 500? Fôssemos. O poeirão vermelho subiu rodando, preencheu cada pulmão e compactou um corpo único dançante, telúrico e aéreo. Uma inacreditável rosa foi desenhada por uma complexa ciranda. Os fotógrafos ganharam o dia quando ela desceu para a capoeira. Entre camisetas de Pernambuco e do Flamengo, as flores liquidificando os vestidos. E, pedindo bis, morremos todos – de som, alegria e terra seca.

Meu lado (meio) punk

08/04/2008

Se o Fim do Mundo vale um poema, por que não o seu meio? No fim das contas, o Meio do Mundo é uma espécie de fim-de-mundo, ou de findo-mundo.

Aqui vai uma letra que escrevi e que foi musicada pelo grande Flávio Dieguez – jornalista-poeta-sábio-cientista maluco e parceiro de composições, além de amigo querido.

Eu tinha até premusicado na cabeça. Era um hardcore duro feito pedra desidratada. Não comentei com o Flávio, pra ver o que dava. Saiu do violão algo bem interessante entre rock’n’roll, blues e folk acústicos. Uma gaita e um limãozinho completariam bem, quer me parecer.

O MEIO DO MUNDO

O meio do mundo

E eu tateio uma borda
Quem deu à luz o escuro
Quem forneceu a corda

Eu vou pro abismo
E quero companhia
Eu vou pro abismo
Mais dia menos dia

O preço não tem liberdade, o raso da cidade
O rádio que é relógio, o galo, a discórdia
A hóstia que engorda e acalma o pecado
São Pedro e o Diabo contando o pescado

Eu vou pro abismo
E quero companhia
Eu vou pro abismo
Procuro um atalho

O meio do mundo
Imagine na ponta
Quem deu leite à fome
Quem ninou a morta

O peso não tem gravidade, o grave da verdade
O ácido que é lógico, o ralo, a escória
A têmpora que encosta e esquenta a espingarda
São Pedro e o Diabo contando o pescado

Eu vou pro abismo
Me dê a mão, último amigo
Quero alguém pra se abismar comigo

… uma pausa de mil compassos…

05/04/2008

Quem sabe de tudo não fale
Quem não sabe nada se cale
Se for preciso eu repito

Porque hoje eu vou fazer
A meu jeito eu vou fazer
Um samba sobre o infinito

Devia estar na Declaração Universal:

Todo homem tem direito a uma semana ouvindo Paulinho da Viola após cada jornada pesada de trabalho e/ou militância.

Ou um dia por semana…

O Fim do Mundo

28/03/2008

Extra: prorrogada a temporada de Manu Maltez e Grupo Cardume na Casa de Francisca. Além do próximo, todos os sábados d’ abril (ver post anterioire).

Aproveito e publico aqui o poema que escrevi para acompanhar “Fim-do-mundo”, música instrumental do disco As Neves do Kilimanjaro.

 

O Fim do Mundo não é quando,
É onde:

Disso os antigos já carecas, com escorbuto
E arrepio.

Começa onde dormiu a última estrela,
e onde três meninos de galochas,
cientificamente,
caçam o rosto de ser meninos…
Esquecem de algum futuro.

Sua primeira namorada é um porquinho-da-índia?
Ou já amantes de sereias?
Sereia-traíra, sereia-lambari, sereia-cascudo.

O fim-do-mundo é um bagre azul
Que leva as estrelas no bucho,
Espadana dentro da poça morna de um piano
Ronronca num contrabaixo
E estrebucha na saída do túnel de metal de um sopro.

O fim do mundo é bom:
É o fim do fim da picada
Começo de um começo
Deus se des-re-inventando
Cobra verde caçando a própria cauda
Imprópria alma
Em algum muro de alguma grande cidade.

 

O Fim do Mundo não é relato
É fato
Que acabou.

 

 

 

 

 

Música pra ver

27/03/2008

Lembram que escrevi sobre o desenhista/gravurista Manu Maltez? Então, o cabra também é músico dos bamba. E está, com o Grupo Cardume, na Casa de Francisca, um barzim bem ajeitado, desses com luz de velas, que a megalópole apocalíptica e cataclismática esconde aqui e ali.

Eles fazem música brasileira com um lado instrumental forte, arranjos originalíssimos e letras refinadas.

Noutra tentativa de definir, eu diria que a música do Cardume é na verdade cinema sem imagens. Numa faixa delicada os ruídos da cidade podem irromper num feixe de metais (“Francisco – eu ando assustada”) sem comprometer a poesia. Ou o ouvinte pode se deixar levar por um córrego para o Fim-do-mundo, lugar sublime. E assim vai.

(more…)

Pô, Ivete

05/03/2008

Em terra de sapos, de (croc) cócoras com eles. Nas terras de ACM, de cócoras com Daniela, Armandinho, Carlinhos, Ivete e Cia – do Pagode. E com Tchan e afins.

Assim, o amigo leitor me desculpe e não vá estranhar um fenômeno (localizado, espero) de axeização deste blog. Por que este blogueiro volta de uma semaninha nas terras sob as quais hoje ACM descansa em paz. Descansa?

Enquanto uma dinamarquesa que não tomou Dramin corre para o convés, e após a exibição de um passo-a-passo da amarração de um colete salva-vidas, o DVD parece se multiplicar. Em misteriosa saramagia, faz com que, conforme o catamarã avança, a ilha à qual esperávamos chegar se afaste. O mar e o DVD se ajustam: um não acaba, o outro é sem-fim.

Mas por que agora estas marítimas linhas, quando as pautas mais hard news da minha viagem seriam a sobrevalorização da porção de agulhinha e o fenômeno de horizontalização dos coqueiros praianos?

Será este sol na cabeça? É que me vi escrevendo que, no meio de muita coisa simplória, fraquinha, fabricada pra pegar ou vulgar ao extremo, o axé gerou algumas batidas empolgantes, alguns achados de prosódia e – ai, deve ser a caipirinha de rua do Mercado Modelo… – algumas peças pra encaixar no cancioneiro que retrata o povo brasileiro. E decorre daí que Ivete (pra não soar turista a gente deve chamar sem o sobrenome) não tinha o direito de me desapontar.

Ela – ou provavelmente seu produtor – teve um achado com “Festa”. Uma devolução ao povo que a idolatra, e um canal direto com ele. Uma linha de empatia e identificação. O refrão beira o libertário (ok, pros padrões do gênero) quando, depois de avisar “que vai rolar a festa”, completa: “o povo do gueto mandou avisar”.

Mais ou menos assim: a gente se ferra o ano inteiro, mas nestes exatos momento e local vamos extravasar a alegria – isso não é uma consulta, é um comunicado – e você, se quiser, vem aqui e aprende, dançando conforme a música. Qualquer diferença com o carnaval é mera publicidade, não?

 

Óbvio que ela não pode se fingir parte do povo do gueto, mas é como se cantasse no meio desse povo, de graça, diva descalça, feliz como em nenhum outro lugar: aceita e tributária. Madrinha da bateria da G.R.E.S. Povo do Gueto.

Um de nossos amigos/guias contou que a Daniela – “que é muito arrogante” – dispensou essa música. Puta furo, penso. Dela ou do seu produtor.

Mas aí o DVD chega nA Festa. E aí vejo que minha amiga Ivete – ou o produtor dela – encomendou pra música um clipe recheado de globais. Uma baladinha de celebridades, muitas delas celebridades de segundo escalão. E a “gente de toda cor”, e o “batuque de candomblé”? Só uma meia-dúzia de pessoas negras. Uma, também celebridade: Preta Gil. Outro, o segurança do evento, que se encarrega de dispensar um pobre dum besouro que o diretor do clipe fez de gato e sapato.

Sei que eu estou bem uns seis carnavais atrasado, mas, ao fim e ao cabo de mais uma água de coco, registro meu protesto. Pô, Ivete. Puta furo…



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