A gente está com a bunda exposta na janela?

Preferiria falar de qualquer coisa minimamente poética, ou política, mas a assim chamada “vida prática” resolveu dar as caras. A TIM me apareceu com uma que eu achei que era minha obrigação comentar, pra alertar outras pessoas que possam se sentir lesadas. É um tal de “serviço de sons”, que surgiu como por encanto na minha conta e resistiu pra burro a sair dela.

O caso reafirma a impressão de que as operadoras de telefonia são dadas a traquinagens.

Máquina do tempo. Há uns cinco anos, a Vivo me veio com uma história de refidelização – que na época não estava consagrada pela prática – porque eu aceitei um novo aparelho que, supostamente, premiava justamente minha fidelidade. Na verdade, ao receber a oferta eu consultei a atendente para ver se podia repassá-lo a um novo cliente – minha mãe –, que eu estava então indicando, porque a mim o novo telefone não interessava. Não houve menção a obrigações decorrentes. Mais adiante, quando decidi cancelar minha assinatura, eles brandiram as clássicas letrinhas miúdas e uma multa proporcional aos meses que faltavam de contrato. Eu arranjo um novo assinante e eles me punem? Esses romanos são uns loucos. Depois de telefonemas mil e da ameaça de ida ao Procon, consegui que eles jogassem a multa pra um valor quase simbólico. Aí, a relação custo-benefício me fez desistir da reclamação formal.

Até o episódio que motivou este texto, o do dito “serviço de sons”, eu me considerava relativamente satisfeito com a TIM. Como a felicidade não dura para sempre, esse serviço, que eu nunca requeri, apareceu num mês (talvez agosto) do ano passado e me custou R$ 19,96. Cinco reais menos um centavo por acionamento, e eu supostamente fiz uso quatro vezes.

Liguei para reclamar e o valor foi descontado na fatura seguinte. No outro mês, voltou a surpresinha, dessa vez com três acionamentos (R$ 15,97), se bem me lembro. Reclamei novamente, disseram que a cobrança era devida (!) e só fora cancelada por “cortesia”. Mantiveram o novo valor. Mesmo nem um pouco convencido pela resposta, deixei a história para depois, porque é um porre ficar gastando meia hora ou mais pra resolver um troço desses.

Esta semana, telefonei para tirar a história a limpo. A atendente me explicou que se trata de um serviço em que você manda uma mensagem a um provedor para ter acesso a um arquivo de som, que pode ser uma música ou piada por exemplo, e aí pode encaminhar esse arquivo para alguém. Além de, salvo engano, ser uma explicação diferente da que me deram em outro momento (quando entendi que eram toques, ringtones, que também nunca baixei), foi-se qualquer margem de dúvida: nunca usei nem pedi tal presente.

Gastei quase uma hora do meu dia e consegui que fosse cancelada a “promoção”, além da promessa de ressarcimento dos valores sapecados nas últimas três faturas. A conferir na próxima… De todo modo, não fiquei 100% contente com a solução: eles me disseram que só atendem contestações datadas em até 90 dias, e, portanto, não podem fazer nada quanto aos meses anteriores. Argumentei que isso era um procedimento interno, provavelmente sem amparo no Código de Defesa do Consumidor, mas não adiantou.

Constatei no Google que várias outras pessoas tinham a mesma reclamação. Nos casos que li, a empresa, quando se manifestou, não contestou nem deu satisfação.  Uma breve consulta a uma advogada, no caso minha sogrita, confirmou o que eu imaginava sobre os 90 dias e me acrescentou a informação de que posso pleitear indenização por danos morais, pela dor de cabeça causada.

Pô, se os caras sabem que tá errado, por que não resolvem de vez? Por que o atendente não se prontifica a cancelar logo que o assinante procura a central? Por que a operadora ainda tira da manga o trololó dos 90 dias?

Me lembro, de cara, daquelas assinaturas de revista que você “ganha” se não se pronunciar, do cartão que o banco não deixa o cliente recusar e de outras maravilhas do que poderíamos chamar marketing-óleo-de-fígado-de-bacalhau. Oferendas que a gente só consegue devolver se aciona um órgão de defesa do consumidor ou vai à Justiça.

Além de achar o fim da picada, sinceramente não entendo como uma empresa arrisca uma cartada dessas num mercado competitivo como o da telefonia celular pós-portabilidade. E num cenário em que se gasta tanto para espelhar “responsabilidade social corporativa” ou o raio que o valha.

Deu vontade de usar o tal serviço só pra pedir aquela música É, do Gonzaguinha.

Só que agora, nego, eu vou cantá-la no coral do Procon.

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7 Respostas to “A gente está com a bunda exposta na janela?”

  1. cacalo Says:

    caro amigo, na minha conta tim, de vez em quando, também aparecem uns ovnis, só que bem mais baratos, da ordem de r$ 1,50, r$,2,00. até hoje não reclamei pois gastaria mais reclamando. mas, eles não perdem por esperar, mais uma, eu troco de operadora (que, infelizmente, vai ser a mesma porcaria mas, pelo menos, terei a satisfação de dar um pé no traseiro da tim).

  2. Mauricio Says:

    Pedrim: O melhor modo de resolver essa história é pegar o protocolo da sua ligação na TIM e abrir uma queixa na Anatel. Eles morrem de medo e são obrigados a resolver o problema. Fiz isso no ano passado com a Telefônica, que se recusou por quatro meses a cancelar minha conta no Speedy. Funcionou. Boa sorte! E um abraço!

  3. pedrobiondi Says:

    Puis é, amigos. A veire. Mas eu não vou engolir essa, não. Abraço!

  4. Jane Says:

    Não engula mesmo não. Não estou botando fogo na fogueira não, viu? Porém, se todos reclamassemos os serviços ( prestados ou não) indevidamente cobrados, com certeza as concessionárias de serviços públicos pensariam, pelo menos duas vezes, antes de praticar qualquer ilícito contra nós, reles mortais. O pior é que nos acomodamos porque, de fato, é extremamente penoso iniciar uma reclamação contra elas e, mais ainda, dar continuidade. A questão se agrava, quando em causa própria. No meio do caminho já estamos desistindo, tamanhas as barreiras que encontramos. É dose cavalar. Mas, você Pedro, amante dos animais, irá aguentar esta dose cavalar. Será? Vamos fazer uma fezinha. SE você precisar, sabe como é, né? Pode contar comigo.

  5. pedrobiondi Says:

    Falou a sogrita, que com seu conhecimento jurídico mostrou que as implicações dos meus direitos como cidadão sobre o causo em questão vão além do que eu já intuía.

    E ela tem razão: se a gente não deixasse as coisas passarem batidas, a turma não abusava tanto…

  6. Tonho Says:

    Tima na cabeça! Boa, irmão!

  7. cacalo Says:

    ó, tá mais que na hora de tirar essa bunda da janela, já, já, vc fica resfriado, meu!

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