Glauco vai fazer falta

Lembro de Angeli comentando o frescor que trouxe o trabalho de Glauco à sua obra e à de Laerte, então já maduros como cartunistas. De fato, aqueles bonequinhos multipernas com olhos de peixe morto, dos quais Geraldão talvez tenha sido o melhor exemplo, operaram uma renovação de linguagem comparável à promovida pelo traço de Henfil – não por acaso, uma espécie de padrinho do trio.

Somava-se a isso o acento sexo, drogas e rock’n’roll, num período em que a maior parte da produção na área era de orientação quase estritamente política. Acento que, aliás, marcaria mais tarde as eventuras de Los Três Amigos, em que a reunião dos talentos de Glauco, Laerte e Angeli gerou clássicos da HQ brasileira. 

Não que Glauco não tivesse olhar político também. Era capaz de charges extremamente sintéticas e precisas, ao mesmo tempo embebidas de sua irreverência peculiar. No seu traço, a corrupção e a desigualdade tinham sua boçalidade desnudada.  

Sem ele, o Brasil fica um pouco menos alegre, um pouco mais canalha, um pouco mais hipócrita.

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