Conclusões de um náufrago – a partir de um domingo ermo

(Leia antes o texto de baixo)

Têm razão aqueles para quem Bras-Ilha até hoje pouco difere de um grande descampado, arte-finalizado e traduzido por um silêncio eloquente. O domingo que passou reforça a intuição que os carnavais e réveillons desertos já insinuavam: que Brasília é uma cidade alugada. Algo como o oposto daqueles municípios de regiões metropolitanas, batizados de cidades-dormitórios, que dão à luz, diariamente, um exército para trabalhar na respectiva capital – exército que retorna à origem, moribundo e desfalcado, toda santa noite. Assim, por oposição, este avião (en)cravado no Planalto Central inaugura a categoria cidade-escritório. Arrisco uma imagem: Brasília é um sítio alugado para trabalho, para um seminário interno, de planejamento estratégico, com duração de quatro anos, eventualmente renováveis. Ao fim do período, conclui-se também o contrato de aluguel.

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