Natal sim/Natal não e as luzes da Esplanada

Tenho sentimentos ambíguos em relação ao Natal e a seus derivados.

Gosto da família reunida, gosto da vertente cristã de partilha, gosto da troca de presentes, gosto do capricho de fazer uma comida diferente.

Gostei de acreditar em Papai Noel – friozinho na barriga e mistério a cultivar – e acreditaria de novo. Já gostei de montar a árvore, perdeu a graça, talvez com filhos voltasse a ter.

Não gosto da fúria do comércio, não gosto de uma gana de universalização das imagens e costumes cristãos que agoniza, mas não morre, não gosto das forçações de barra para converter tradição, afeto e festa em consumo.

Me deu engulhos presenciar, aqui em Brasília, a iniciativa de um shopping de promover uma aterrissagem de papai noel em fins de outubro. Ô, vontade de vender e escapar um pouquim da crise financeira, não?

Com a decoração natalina, vai pela mesma bifurcação. Em geral, curto mais a iluminação que se traduz em “deixar a cidade bonita para um momento especial” do que os bonecos de neve, botas e trenós que me ordenam: “Vamos, como os EUA, fingir que somos a Lapônia”.

Da capital federal, o que mais me divertiu até o momento foi o psicodelismo colateral das luzes na Esplanada. Ônibus fátuos, Cherokees e equivalentes carregando pinheiros elétricos na corcova, palmeiras com o ventre de tábua adornado por balangandãs luminosos, miríades de velinhas suspensas no ar abençoando de credo as vias expressas.

A conferir abaixo.

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5 Respostas to “Natal sim/Natal não e as luzes da Esplanada”

  1. cacalo Says:

    bons tempos os em que ainda havia friozinho na barriga à espera da meia-noite para cear e, depois, abrir os presentes. hoje, se bobear, às11h00, está tudo terminado.
    feliz natal, daqueles de que temos saudade!
    abraço,
    cacalo

  2. pedrobiondi Says:

    Puis é, Cacalo… Hoje, o Papai Noel, depois de descer pela chaminé, fica tentando empurrar celulares e planos de dados para os convidados.

    Mas, enfim: bom Natal pra você também! Grande abraço.

  3. Marcelo Arruda Says:

    Serve “dois pelo preço de um”? Como vim para confundir, enão para explicar (ou quem sabe explicar confundindo, rs…)

    Sobre psicodelia e luzes, me lembro, lendo teu post, de uma amiga minha falando sobre como as luzes do Brasília Shopping pareciam com aquelas luzes dos Pokemon, aquelas que causaram mau algum tempo atrás numa molecada no Japão. As vezes penso que o efeito das luzes daqui da cidade é para serem mais implícitas…

    ah sim, comentando o post abaixo: Sempre quando olho para este quando na Rodô me dá um medo meio Big Brother…

  4. pedrobiondi Says:

    Não lembro se cheguei a ver as luzes do Brasília Shopping, Marcelo. Quanto ao cristo da rodoviária, é um suvenir realmente esquisito…

  5. Amanda Says:

    Eita mundo véio de contrastes!! Não tem natal que apague isso…:/

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