06_11_2008_sabia_praca2O sol amacia os pensamentos e dobra o jequitibá. Os meninos são guerreiros e jogadores famosos de futebol. As meninas são mãezinhas bravas e calouras da fama. O sol acalenta o motoboy e arranca uma escama de prata do seu cavalo. Cachorros brincam de liberdade. Cheiram-se muito e qualitativamente, reconhecem as árvores e remoçam sua última passagem por ali. A mulher solta o nenê no tanque de areia (ali, tê-lo parece tão simples). Uma babá faz o mesmo. Sentar no banco de concreto e puxar conversa. Uma abelha veio vindo, se aparando da corrente, e pousou em minha calça. Provavelmente já usou o ferrão e prepara sua própria, suave, natural, morte. Olhei bastante pra ela, mas pensei pra longe… Uma ou outra mosca. As metalizadas varejeiras me lembram minha infância e o Ibirapuera. Sabiás de olhos avessados e imitadores miúdos saltitam na chapa quente dos gravetos. O vento é ingrediente. Alguém despregando uma ripa, algum barulho em volta, cantada de pneu, skate… tudo sinfônico. O sol minguante, outono de abril. Mar de grama. Se esqueci de pôr, o título é “Praça”.

Este é um dos 20 contos e híbridos do meu livro,
que dá nome ao blog. Mais detalhes ao lado
(no alto da coluna direita).

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Uma resposta to “”

  1. marcelo sahea Says:

    Querido,
    lembra dos POEGIFs?

    Passa lá no blog!

    Abração!

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