Nossos bichos e plantas vertidos em arte

Precisão quase científica no traço com graça artística e uma ligação profunda com a natureza. Animais que, sem ser humanizados, mostram sua afetividade e sua individualidade. A tradição da gravura honrada com maestria e precisão. Seres vivos muito além da taxonomia. Beleza extraída da paciência da madeira. Breves anotações que já escrevi sobre a obra da minha mãe, Angela Leite, e que estão muito longe de dar uma idéia sobre o conteúdo que ela produziu ao longo de quatro décadas de arte e militância. Melhor conferir no site que – anuncio com alegria e orgulho! – acaba de ir pro ar: www.angelaleite.com.br. Publico também, logo abaixo, o texto de divulgação que fizemos sobre a trajetória dela.

Site de Angela Leite traz fauna e flora em exposição permanente

Xilogravuras e desenhos traduzem quatro décadas de arte em defesa do meio ambiente

A artista plástica Angela Leite passa a ter sua obra disponível na internet. Na página www.angelaleite.com.br estão reunidas quase 200 gravuras e desenhos, frutos de quatro décadas voltadas à arte e à defesa do meio ambiente.

No site, onças, borboletas e papagaios de todos os naipes circulam entre jequitibás, cedros e variadas palmeiras, enquanto baleias, golfinhos e tartarugas-marinhas experimentam o oceano.

Ali também estão depoimentos e textos críticos sobre a obra e o engajamento da artista. Entre eles, de Ibsen de Gusmão Câmara, Álvaro Machado, Carlos Von Schmidt, Antonio Carlos Abdalla e Aloysio Biondi (confira alguns ao final destas páginas).

Em seus 40 anos de carreira, Angela Leite trabalhou sobretudo com a xilogravura, a gravura em madeira. Realizou também diversos desenhos com lápis de cor e com nanquim. Para ampliar o diálogo entre arte e rigor científico que marca sua obra, ela recorre a pesquisadores e à literatura especializada, além de dedicar-se à exaustiva observação dos animais em seu hábitat ou em cativeiro. As árvores passaram a fazer parte de sua obra em 1996.

“Liberado das imposições da função descritiva e documentária, o desenho de bichos pode adquirir uma nova dimensão, humana e participante”, anotou o zoólogo Paulo Vanzolini, sobre a obra da artista. “A forma despojada e íntegra, o detalhe extremamente bem dosado, a compreensão da identidade do animal, contribuem para que seja transmitido um sentido da unidade fundamental de tudo o que vive, não apenas conceitual e filosófico, mas também com limpa emoção.” O crítico Olívio Tavares de Araújo destaca “um desenho seguro” e “um corte impecável”, e conclui: “Angela consegue jogar majestosa e claramente seus bichos no espaço”.

O modo de trabalhar e a militância

“Meu ofício vira arte quando traduz claramente expressões de espécies distintas”, analisa Angela Leite. No seu dizer, a imagem ideal é o flagrante de um momento da vida de um indivíduo de uma determinada espécie, que traduz o modo de ser daquele bicho. “Quando isso acontece, o espectador é conduzido para perto do ser retratado e tem despertada a sensibilidade necessária para viver alegrias remotas. Veredas distantes dialogam, a gravura teve sucesso e eu sinto que cumpri minha missão.”

Nascida em 1950 no Rio de Janeiro, ela se dedica desde 1968 à arte em defesa do meio ambiente. A militância também se dá por meio de palestras, oficinas, artigos e entrevistas em defesa da fauna e da flora, em especial as brasileiras.

Angela colaborou com textos de temática ambiental em jornais e revistas como IstoÉ, Veja, O Estado de S.Paulo, Jornal da Tarde e Shopping News. Na televisão, gravou para Repórter Eco, da TV Cultura, e Animal Planet, do Discovery Channel.

A artista desenvolve atividades de conscientização e sensibilização às questões da natureza com escolas públicas e particulares. Realizou diversas parcerias com instituições e empresas em iniciativas conservacionistas ou de enfoque ambiental – a exemplo da Universidade de São Paulo, Embrapa, Senac, Sesc, Fundação Maria Luisa e Oscar Americano, Santista Têxtil e Artex.

Participa e promove doações a campanhas de entidades como a União em Defesa da Natureza e a Rede Pró-Unidades de Conservação. É membro-fundador da União em Defesa das Baleias, entidade que teve participação fundamental na proibição da caça aos cetáceos nos mares brasileiros, conquistada na década de 1980.

Trajetória artística

Presente em mais de 200 mostras e detentora de prêmios em salões e exposições, a artista exibiu seus trabalhos em mostra individual na Embaixada Brasileira em Washington, Estados Unidos, em 1991, e mereceu uma sala especial no Dronninglund Kunstcenter, na Dinamarca, em 1990. Também recebeu nove premiações no circuito nacional e o R.H.J. Hintelmann Kunstpreis de 1997, no Museu da Coleção Zoológica de Munique, Alemanha.

Em 1992, realizou exposição individual no Rio de Janeiro, dentro da programação de eventos paralelos à ECO-92. Ao longo de sua carreira, participou de dez mostras de abordagem ecológica. Suas criações estiveram presentes em 18 individuais, quatro delas fora do Brasil: San José (Costa Rica), Assunção (Paraguai) e as já citadas. Em mais de 60 mostras coletivas estaduais, nacionais e internacionais, estas em Taipé (Taiwan), Nova Iorque (EUA) e Ourense (Espanha), além de Munique. Angela expôs ainda em 30 coletivas em galerias e ateliês.

Mais sobre o site

Ao lado das gravuras e dos desenhos, a página reúne textos da autora – reflexões e crônicas sobre os bichos e árvores desenhados, bem como artigos opinativos. As reproduções são acompanhadas de nome científico e distribuição das espécies.

O internauta também pode conhecer e encomendar camisetas e cartões que trazem trabalhos de Angela – são, respectivamente, 52 e 63 diferentes imagens.

A página foi construída por Antonio Biondi (organização) e Renato de Almeida Prado (design e organização – www.rdeap.com.br) e pela empresa Factorweb (programação – www.factorweb.com.br ), com a colaboração de pesquisadores, fotógrafos, artistas, amigos e parentes.

Contato para entrevistas e mais informações

Antonio Biondi

(11) 3743-7567 / 7488-5449

angelaleite.gravura@uol.com.br

Suas centenas de obras espalhadas pelo mundo – e possíveis pela reprodução de seus múltiplos – são um constante manifesto e um alerta a milhares de pessoas que contemplam seus trabalhos, e têm avivadas suas consciências pelo produto de uma paixão pela Arte que é, assim, meio e suporte para sua batalha contínua e pacífica em defesa das bandeiras ecológicas.
Antonio Carlos Abdalla, 2006

Seus temas refletem preocupações ecológicas e suas representações de alguns animais – em especial a baleia jubarte – tornaram-se uma espécie de marca registrada na gravura brasileira, um “clássico”, assim como a vaga no instante da arrebentação na gravura japonesa, guardadas as proporções.
Álvaro Machado, 2004

Esse universo plástico, essencialmente humano e selvagem, é desvendado nessa exposição (“Seleção Natural”) delicada, rigorosa e detalhista, num trabalho de mensagem ecológica correto e de memória gráfica de primeiro nível. Uma arte que vem da alma sincera e brasileira da artista – que deve merecer apoio total do público.
Luiz Ernesto Kawall, 2004

Liberado das imposições da função descritiva e documentária, o desenho de bichos pode adquirir uma nova dimensão, humana e participante. A forma despojada e íntegra, o detalhe extremamente bem dosado, a compreensão da identidade do animal, contribuem para que seja transmitido um sentido da unidade fundamental de tudo o que vive, não apenas conceitual e filosófico, mas também com limpa emoção. É no que reflete um zoólogo contemplando os bichos de Angela Leite.
Paulo Vanzolini, 1994

É para mim particularmente grato testemunhar o fato que de que a artista plástica Angela Leite tem dedicado seus dons artísticos à defesa da natureza brasileira, divulgando em excelentes trabalhos nossos animais sob ameaça de extinção.
Ibsen Gusmão Câmara, 1993

Em seus desenhos, como na xilogravura, Angela Leite exibe uma arte na qual a obsessão é mostrar os bichos que defende não através de um viés mórbido, como vítimas de extermínio. Angela Leite prefere exaltá-los, mostrá-los como exemplos de vida bem sucedida – e, por isso mesmo, a ser preservada.
Aloysio Biondi, 1992

Seus animais de pelo e pena não têm (aleluia!) o rigor estático dos desenhos científicos, mas o movimento do amor e da liberdade. Ela não falseia nada. Fica fiel à realidade. Só que vai mais longe e flagra os animais no momento do amor e da alegria de viver. Não é arrivista e nem oportunista. Desenha seus (nossos) animais desde 1968, quando a palavra ECOLOGIA não existia nas bocas brasileiras.
Olney Krüse, 1988

Acredito que dos gravadores brasileiros que se dedicam à xilo, Angela Leite é a que está mais próxima da trilha percorrida por Goeldi. Suas gravuras possuem a mesma força que encontramos na do mestre. Angela Leite sabe como Goeldi, tirar da madeira, do papel, do branco e do preto, mundos de sensações inéditas.
Carlos Von Schmidt, 1984

Servida por um desenho seguro e por um corte impecável, Angela consegue jogar majestosa e claramente seus bichos no espaço. O clima do conjunto ressuscita algo da vocação e tradição narrativas da xilogravura, que desde a Idade Média serve por excelência à ilustração. E é sempre clara e direta em suas intenções.
Olívio Tavares de Araújo, 1984

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3 Respostas to “Nossos bichos e plantas vertidos em arte”

  1. Antonio Says:

    Grande Peter! Muito bom o texto de apresentação do site da Angela. E o parágrafo que você redigiu depois, imagino que num repente, também ficou bastante bonito. Tava fuçando no Google Analytics, e já são 12 países em que os e as internautas visitaram o site dela. Legal, né? Depois do Brasil, EUA vêm bem. Canadá (!) também. Argentina e Venezuela, alguns países da Europa e… até a China (!!) aparecem na lista. Mas aí deve ter relação com a viagem do sr. Geraldo Leite, né? rsrs A Angela já tinha preocupado. Achando que iam piratear tudo as coisas dela por lá! Ahahahahaha. Abração e bom domingo! Mano Tonho

  2. viviane Says:

    eu achei uma porcaria nao tem nada nisso

  3. pedrobiondi Says:

    Não entendi o comentário, Viviane. Você achou que o site não condiz com o que escrevi, é isso?

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