Bate-papo com Nicolas Behr

Hoje, às 20h30, na Feira do Livro, no Pátio Brasil.

Os poemas curtos dele são o que de mais certeiro li sobre esta ilha aqui. Mas não param aí: mirando Brasília, tratam sobre amor, burocracia, solidão, babaquice, cegueira, autoritarismo. E sobre a relação entre homem e natureza, que expõe tão bem tudo isso.

Aliás – só me toquei disso hoje, ao reler suas coisas – vem da obra dele a imagem de cidade-maquete, que adotei como retrato de Brasília.

Nicolas, um dos expoentes da dita “geração mimeógrafo”, teve finalmente seus 30 anos de poesia reunidos em Laranja Seleta, lançado ano passado. Seguem seis dos meus poemas preferidos:

1
amorzinho me deixou
amorzinho só tem um defeito:
não pode ver homem

2
a profecia dizia que quando jk
visse uma coruja buraqueira,
pousada num cupinzeiro,
devorando um rato
que segura um carimbo,
ali seria o sítio ideal
para erguer sua capital

e assim se fez

3
desço aos infernos
pelas escadas rolantes
da rodoviária de brasília

meu corpo boiando
no óleo que ferve
um pedaço do teu coração
num pastel de carne

4
onde você trabalha?
trabalho no setor
de diversões sul
o que você faz lá?

sou palhaço

5
a superquadra nada mais é
que a solidão
dividida em blocos

6
começa a demolição
quero pra mim
os anjos da catedral

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