Meu lado (meio) punk

Se o Fim do Mundo vale um poema, por que não o seu meio? No fim das contas, o Meio do Mundo é uma espécie de fim-de-mundo, ou de findo-mundo.

Aqui vai uma letra que escrevi e que foi musicada pelo grande Flávio Dieguez – jornalista-poeta-sábio-cientista maluco e parceiro de composições, além de amigo querido.

Eu tinha até premusicado na cabeça. Era um hardcore duro feito pedra desidratada. Não comentei com o Flávio, pra ver o que dava. Saiu do violão algo bem interessante entre rock’n’roll, blues e folk acústicos. Uma gaita e um limãozinho completariam bem, quer me parecer.

O MEIO DO MUNDO

O meio do mundo

E eu tateio uma borda
Quem deu à luz o escuro
Quem forneceu a corda

Eu vou pro abismo
E quero companhia
Eu vou pro abismo
Mais dia menos dia

O preço não tem liberdade, o raso da cidade
O rádio que é relógio, o galo, a discórdia
A hóstia que engorda e acalma o pecado
São Pedro e o Diabo contando o pescado

Eu vou pro abismo
E quero companhia
Eu vou pro abismo
Procuro um atalho

O meio do mundo
Imagine na ponta
Quem deu leite à fome
Quem ninou a morta

O peso não tem gravidade, o grave da verdade
O ácido que é lógico, o ralo, a escória
A têmpora que encosta e esquenta a espingarda
São Pedro e o Diabo contando o pescado

Eu vou pro abismo
Me dê a mão, último amigo
Quero alguém pra se abismar comigo

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