Arquivo da categoria ‘Novidades’

Cheiro no twitter

Setembro 13, 2009

A leoa vai piar.

Com um respeitável delay, este blog e seu pastor aderiram ao twitter. Da utilidade informativa e social do cujo eu nunca tive dúvidas, mas adiava o embarque por uma certa preguiça de mais conexão e dispersão – são fontes demais para isso hoje, não?

Como aqui, meio ambiente, literatura, comunicação e Bras-Ilha serão assuntos na certa. E me parece um bom lugar para servir as tradicionais iscas de zebra.

Em tempo: estamos lá com nome de fabricante, não de produto. Como pedro_biondi (já havia um eu-não-eu sem _ ).

Enfim, que venham as novidades. Agora, picadinhas em 140 toques.

Desenhos e gravuras de Angela Leite na USP

Maio 21, 2009
"Mocó", gravura de Angela Leite

"Mocó", gravura de Angela Leite

De 27 de maio a 08 de junho, trabalhos da artista vão compor a mostra “Trilha Natural Brasileira”.

São 23 desenhos recentes e inéditos e 37 xilogravuras, representativas de suas quatro décadas de carreira.

Comentei a linda obra de Angela – mãe deste orgulhoso pastor de zebras – no texto “Nossos bichos e plantas vertidos em arte”.

A exposição é no Instituto de Biociências da USP. Abertura dia 26, às 19 horas. O caminho-das-pedras taqui no Overmundo, onde é possível votar para manter o texto de divulgação em destaque.

Era uma vez… no seu celular

Outubro 4, 2008

Trinta microcontos, um por autor, serão enviados por SMS para 2 mil usuários de telefonia. É o projeto Literatura Celular, do qual este pastor de zebras é um dos participantes.

São textos/torpedos de até 120 toques, incluindo título e nome do escritor. Enfim: uma história contada num abs.

Como curador, Marcelino Freire convidou também: Alberto Guzik, Alessandro Buzo, Ana Rüsche, André de Leones, Evandro Affonso Ferreira, Fernanda Siqueira, Ferréz, Flávio Viegas Amoreira, Ivana Arruda Leite, João Silvério Trevisan, Lirinha, Luciana Miranda Pennah, Livia Garcia-Roza, Lourenço Mutarelli, Marcelo Ariel, Marcelo Rubens Paiva, Maria José Silveira, Mário Bortolotto, Maurício de Almeida, Menalton Braff, Moacyr Scliar, Modesto Carone, Paulo Lins, Raimundo Carrero, Reinaldo Martins, Ronaldo Cagiano, Sacolinha, Sérgio Roveri e Verônica Stigger.

Marcelino, aliás, foi um dos responsáveis pela febre em torno desse tipo de ficção, quando teve a sacada de organizar Os Cem Menores Contos Brasileiros do Século.

Para receber os microcontos por SMS é preciso cadastrar o número da linha aqui. Tem que ser Claro ou Vivo, do estado de São Paulo.

O projeto faz parte da Mostra Sesc de Artes 2008. O envio de textos para os celulares vai do dia 8 ao 18.

Todos os membros

Setembro 7, 2008

(atrás umas paredes não muito brancas)

(que as palmas espalmam)

(enquanto o resto olha pro alto)

(pensa em futebol)

(sei lá)

Na sala do exame médico estão todos os futuros membros da corporação.

Os que não vão entrar também:

– O senhor é torto para a esquerda.

O elogio do Flávio e as coordenadas na bienal

Agosto 13, 2008

Tinha comentado ontem a declaração do Flávio Moura, curador da Flip deste ano, sobre o Cheiro de Leoa. É a dica de leitura dele na 20ª Bienal do Livro – vejam que legal:

“A ênfase na sonoridade, no ritmo e na criação de palavras e de jogos de sentido forma um universo de experimentação vivo e coeso. E, o que é melhor, o livro não tem nada de sisudo. Pedro escapa das armadilhas associadas a esse tipo de prosa com muita graça e jogo de cintura.”

O Flávio é um cara supercriterioso e que lê à beça. Imagino que recebe feixes de lançamentos a cada semana. Pra lá de bem-vinda a aprovação dele!

E minha participação na bienal será no estande da Editora Limiar, na Travessa Literária O. Domingo, das 16 às 17, como tinha adiantado. No site do evento tem mapinha.

Que tal aparecer pra dois dedos de prosa?

Leoa bem recomendada na Bienal do Livro

Agosto 12, 2008

Extra! No domingo (17) estarei na Bienal do Livro, das quatro às cinco da tarde, para autografar minha cria – sim, a que dá nome a esta vereda digital.

Outra ótima nova é o comentário elogioso que o jornalista Flávio Moura, curador da Flip, fez sobre o livro. Saiu na Folha de S.Paulo, na Revista da Folha” do último domingo.

Bert Glibbery

Foto: Bert Glibbery

Amanhã, as coordenadas e o comentário nesta praça aqui! Mas já avisem os chegados, pliz, já avisem os chegados…

No ar, mil textos de Aloysio Biondi

Junho 10, 2008

Sete anos de catalogação de material impresso, pesquisas em bibliotecas públicas, festas e venda de camisetas para levantar recursos, visitas a jornais, discussões via e-mail, construção de página na internet, escaneamento, xerox e digitação, mutirões de inserção de textos. O resultado? Mil artigos e reportagens no ar. Essa é a marca comemorada neste neste maio pelo projeto O Brasil de Aloysio Biondi (www.aloysiobiondi.com.br), que sistematiza a obra do jornalista, vencedor de dois prêmios Esso e apontado como um dos nomes de referência do jornalismo econômico no Brasil.

Entre os temas abordados estão soberania nacional e dependência externa, privatizações e o papel do Estado, agricultura, emprego e renda, meio ambiente, direitos do consumidor e ética jornalística. Até o momento, o acervo online  abrange a produção de Biondi – meu pai – nas décadas de 60, 70, 80 e 90, incluindo as matérias com que ele venceu o Prêmio Esso.

A página, toda em em software livre, traz também depoimentos de Aloysio Biondi em áudio e vídeo, além de fotos de momentos marcantes de sua carreira e de sua vida e reproduções fotográficas de alguns de seus principais trabalhos. Estão ali, ainda, testemunhos sobre ele escritos por Luis Fernando Verissimo, Emir Sader, Washington Novaes, Janio de Freitas e Ziraldo, entre outros. Outro destaque é o perfil biográfico do jornalista elaborado por Thais Sauaya Pereira como trabalho de conclusão de curso na Faculdade Cásper Líbero.

O site, no ar desde dezembro, foi montado a partir do projeto de memória de Biondi, iniciado em 2000, ano de sua morte. Trata-se de um projeto coletivo, que reúne mais de 50 pessoas em participação voluntária. Colaboram parentes, amigos, ex-alunos e leitores do jornalista. Contabilizando os que ofereceram colaborações mais esporádicas - revisar um texto, por exemplo -, o número de participantes passa de 200. A programação e o desenvolvimento são de Vitor Reis e Isabela Fernandes, ao passo que a criação e o design couberam a Renato Almeida Prado.

(mais…)

Leoa no Doidivana

Maio 6, 2008

Estes dias, o livro recebeu um comentário que me deixou muito contente e honrado. Foi da Ivana Arruda Leite, autora de Falo de Mulher e Ao Homem que Não me Quis. Está no blog dela, o Doidivana – confiram um trecho:

“O livro do menino (ele nasceu em 76) é impecável. O cara tem uma escrita diferente, cheia de invencionices linguísticas, sintáticas, morfológicas e poraíaforas. Mas não é coisa de ‘querer ser diferente’. O cara sabe o que está fazendo e faz com mucha propriedade.”

Aqui vai o link pra conferir o texto inteiro, “Dois gorgorejos”, em que a Ivana comenta também o novo livro da Luci Collin.

Leoa nas prateleiras

Março 9, 2008

Há umas três semanas minha fauna literária está nas prateleiras de uma das livrarias mais legais de Brasília, a Café com Letras, 203 sul. Ali tem muita coisa boa, e vale ouvir as sugestões literárias da dona, Luiza Neiva, que o amigo Rezende me apresentou.

A Café com Letras tem também um quiosque na Academia de Tênis (quem não conhece Brasília vai estranhar, mas é ali que está o melhor cinema da cidade).

Em janeiro fiz um breve levantamento e vi que o livro não estava disponível em quase nenhuma das livrarias maiores. Não sei como está agora.

 

A matéria no Correio Braziliense

Fevereiro 7, 2008

Investigações sobre a linguagem

Nahima Maciel
Da equipe do Correio

Daniel Ferreira/CB
Em Brasília há dois anos,
o paulista
Pedro Biondi
estréia em livro

Pedro Biondi experimenta a narrativa como se passeasse por histórias fragmentadas, por pedaços de pensamentos de gentes quaisquer. Pesca aqui e ali o que parecem ser fluxos de pensamentos. Nem sempre há uma história clara e coesa. Ele cita o cartunista Laerte para explicar o porquê: “Ele fala sobre desenhar, mas pode se aplicar ao texto escrito. O assunto, o motivo muitas vezes acaba puxando a forma”. É, portanto, em forma de mosaicos que está construído Cheiro de Leoa.

O primeiro livro de Biondi pode ser descrito como uma pequenina colcha de retalhos. É prosa em diversos estilos, um pouco de poesia e um conjunto de minúsculas brincadeiras com a linguagem. Primeiro os estilos. Crônica ou conto definem os textos mais longos. Em alguns Biondi experimenta coragem e linguagem, caso do texto que dá título ao livro. Em “Cheiro de leoa”, o leitor é jogado dentro de uma caminhonete de savana em companhia do personagem cuja sanidade não se sabe ao certo por onde anda. Desfilam bichos – zebras, na verdade, e umas poucas leoas – e pensamentos sobre situações sensoriais. Há menos história do que experiência nessas sete páginas, mas a coisa muda à medida que se avança na leitura.

“Esses cosmos, nossoscosmos” vai por outro caminho, mais organizado. Dois sujeitos saem do cinema e entabulam uma conversa um tanto sem sentido, mas uma conversa. Mais adiante, “Mau” retoma o livre fluxo de consciência que caracteriza “Cheiro de leoa”. O autor parece caminhar pela rua como se fosse invisível e joga o leitor em situações rápidas e desconectadas. Ali, vê-se o quanto Guimarães Rosa foi importante para Biondi. “Na faculdade, era o que eu mais lia”, revela. “Ele teve grande influência na brincadeira com a linguagem porque faz uma arqueologia da língua portuguesa. Nos meus textos, essas brincadeiras com a linguagem, além de me divertir e, espero, ao leitor, acabam sendo espaço de retrato social e crítica, onde o texto vai mimetizar a maneira de falar de determinado personagem.” É mais ou menos o que faz Wilson Bueno na não-apresentação da contracapa. Já que linguagem aqui tem total relevância, melhor orquestrar com ela. É quase um miniconto o texto do curitibano. Uma resposta à leoa do título do livro.

Entre cada texto, Biondi intercalou pequenas frases, quase ditados. Ou microcontos. São como iscas para atiçar a curiosidade do leitor e fisgá-lo em direção ao próximo conto. O autor chama de tira-gostos. São também indícios de um desejo. Biondi anda querendo explorar o universo do miniconto. O formato de texto reduzido que perpassa Cheiro de Leoa, o autor admite, vem da fragmentação do mundo contemporâneo. “É a maneira como recebemos as informações”, explica. Ou então, no entendimento de Marcelino Freire na orelha do livro: “É só puxar pela respiração”.

Biondi, 31 anos, mora em Brasília há dois. Nasceu e cresceu em São Paulo, e obviamente estranhou a composição do Plano Piloto. O fato de ter nascido na maior metrópole da América do Sul não fez dele um autor especialmente marcado por temáticas urbanas, como boa parte de sua geração. “Sempre gostei de colocar o pé no chão”, brinca, lembrando dos finais de semana num sítio da família. Nos textos, a postura contemplativa se equilibra com reflexões sobre a cidade e suas agruras. Há espaço para zebras e leoas, mas também para diálogos entre traficantes em “Morro x asfalto” e até para um bem-humorado manifesto em favor dos sonhos. “Sonhadores do mundo, uni-vos (o Manifesto Sonhadorista)” não preenche uma página, mas convoca todos a “fazer xixi nas estruturas do Sistemex, levantando a perninha direita”.