os shoppings, já pura fúria / Pior para as paineiras / que ainda ostentam colares de lampadinhas / do Natal 2008
Arquivo da categoria ‘Ilha Brasília & Setor de Rotinas’
Dezembro nem presépio /
Novembro 27, 2009Esporte é vida
Outubro 9, 2009Pra quem? Em Brasília,
nas galopadas à base de Nike e Reebok,
as cigarras morrem como moscas
Datas
Setembro 12, 2009Tomando que o Dia do Cerrado
O 11 de Setembro fosse
Homens de barba errassem de torres gêmeas
Acertando gêmeas torres?
Tenho impressão de que
alguém já soltou essa charge.
Que, justiça seja feita,
funciona bem melhor
como charge…
O Google não perdoa.
Fotomontagens.
Chove chuvinha
Agosto 24, 2009Tão bom
Depois dela Brasília ficou como se moça
recém-saída do banho
Ano passado foram mais de
quatro meses sem um pingo
(leia o relato aqui).
Este ano, creio, menos.
“É um ano atípico”, muitos
têm comentado. Mas esse
é um comentário bem típico.
Expediente
Agosto 20, 2009Quinta
é vice-sexta?
Domingo
é pré-segunda?
E por falar em árvore…
Agosto 13, 2009No meio do caminho tinha uma árvore
Agosto 11, 2009Conclusões de um náufrago – a partir de um domingo ermo
Julho 14, 2009(Leia antes o texto de baixo)
Têm razão aqueles para quem Bras-Ilha até hoje pouco difere de um grande descampado, arte-finalizado e traduzido por um silêncio eloquente. O domingo que passou reforça a intuição que os carnavais e réveillons desertos já insinuavam: que Brasília é uma cidade alugada. Algo como o oposto daqueles municípios de regiões metropolitanas, batizados de cidades-dormitórios, que dão à luz, diariamente, um exército para trabalhar na respectiva capital – exército que retorna à origem, moribundo e desfalcado, toda santa noite. Assim, por oposição, este avião (en)cravado no Planalto Central inaugura a categoria cidade-escritório. Arrisco uma imagem: Brasília é um sítio alugado para trabalho, para um seminário interno, de planejamento estratégico, com duração de quatro anos, eventualmente renováveis. Ao fim do período, conclui-se também o contrato de aluguel.
Diário de um náufrago
Julho 13, 2009Sabe aquela redação que todo mundo escreveu na 7ª série, em que a primeira ou terceira pessoa acorda e depara com o bairro, a cidade, ou mesmo o planeta absolutamente deserto? (Ah, sim: Raul pôs isso em letra bem depois da 7ª série – “O Dia em que a Terra Parou” –, com direito ao indefectível desfecho em que o protagonista acorda.) Foi bem essa a sensação de circular neste 12 de julho em Bras-Ilha, ao voltar de férias.
Na cidade, que normalmente já não tem pedestres, cachorros (exceto poodles) e afins, restava não mais que meia dúzia de carros circulando. Nem todos com alguém ao volante, quer me parecer. E outra meia dúzia de anus e pássaros-pretos pastando.
Era como se todo mundo tivesse marcado alguma coisa da qual eu ficaria de fora – algum possível motivo para festa-surpresa? – ou corrido para ver um meteoro que caiu e só eu não sabia. Ou como quando a gente tem 10 anos e esquece de tirar o despertador do horário de verão, ou perde o ônibus do passeio, ou toca a campainha da casa do bailinho e descobre que está um dia adiantado.
Na ausência de nova morte de Michael ou equivalente tragédia, nada parece explicar as 24 horas de silêncio desse domingo. Na falta de um comunicado oficial, correr os olhos pelas agências de notícias, para o caso de algo muito extraordinário ter passado batido. Necas, a menos que a população inteira esteja numa manifestação de apoio aos uigures em frente do Itamaraty.
Hipóteses e analogias na cabeça, me dirijo à UnB – terreno de 395 hectares de cerrado que uso como quintal e onde algumas pessoas estudam – em busca de corujinhas-buraqueiras para fotografar, com o receio de que tenham migrado para a Flórida ou para a Patagônia. Sou abordado por dois caras com o rosto coberto de barba e uma mochila com colchonete enrolado nas costas, únicas criaturas sem asas, cauda ou rodas num raio de quilômetros. Me perguntam sobre um tal de congresso da UNE.
Coitados – penso. Decerto no cartaz constava “julho de 2010”, ou “Curitiba”, ou “Manaus”, e eles leram com pressa.



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