Estes tempos, o livro que dá nome a esta página recebeu elogio que me deixou alegre e orgulhoso. Foi do jornalista e poeta (e amigo) Ricardo Jacomo, do Rio. Ele é autor de O Homem Voador, lançado pela Ibis Libris em 2005.
Já é um gosto quando um escrito nosso recebe uma crítica favorável. Quando o resultado é um diálogo em verso, cheio de musicalidade como o que reproduzo logo abaixo, a sensação é de troca de passes, 1-2 dos bons, calcanhar e tudo, rumo ao gol…
O poema-comentário do Jacomo:
Cá em casa há tempos cheirava a leoa
Desculpas cotidianas mil coisas blábláblá infértil relutavam a me deixar cafungá-la
Li Paulinho no livro e lembrei que meu tempo é outro, e ele às vezes ignora os outros
Mas quando fico pronto, de bate-pronto me apronto na arquibancada pra reconhecer o craque
Vendo a desenvoltura dele parece fácil, pareço fóssil
Quinze do segundo tempo, o jogo já tá ganho, quero saborear, oleolelear retardando o apito
Biondizo o poema e atexto, texto, texto, texto…
Sou solidário e admiro o amigo, elejo, cobro e agradeço
Faça outros, criaste apreço.
Aproveito e publico aqui outro poema recente dele – igualmente pleno de ritmo e imagens saborosas. Este, sobre o nosso ofício/bênção/maldição.
Salve, palavra!
Jogue o bote, poesia salva-vida
Respire pertinho da minha boca
Dê o crédito para quem se endivida
Ceda amor ao animal que se entoca
Cante o mantra, meditação-poema
Solte a âncora, palavra libertadora
Desamedronte se o medo for o tema
Mande amor e o burocrata perde a hora
Toque o alarme, incendiária letra
Clame à força dos seres pirofágicos
Faça a festa, que eu entro de penetra
Traga amor pros bichos melodramáticos
Dance o rito, verso do encantamento
Conte a fábula, deslumbre a platéia
Transo em transe e assim me contento
Doe amor que a bússola desnorteia
Mexa a massa, verbo-batedeira
Bata o bolo com a força de um bardo
Peça arrego, nega, mesmo que não queira
Mire o amor que eu lhe enveneno o dardo
Beba o ébrio, dicionário do deslumbre
Busque sol, fuja da névoa que avança
Seja assim, moça, tudo. E relembre:
Siga o amor que eu prometo recompensa
Para ler o que outros autores escreveram sobre Cheiro de Leoa, clique aqui. O olhar de Marcelino Freire, Wilson Bueno, Laerte, Ivana Arruda Leite, Nelson de Oliveira, Carlos Eduardo Faraco, Flávio Moura, Nahima Maciel, Chico Aguiar e Flávio Dieguez.
Tags: "cheiro de leoa", Conto, literatura brasileira, poesia, prosa, ricardo jacomo
Junho 26, 2009 às 11:50 am |
Muito bom, muito bom. Pedro em diálogo com Jacomo, velho amigo. E que rico e renovado diálogo, meus velhos! Aliás, com Pedro em viagem, o que será que será? Dialogar entre nós, na camaradagem?