Eu
Não era
André
Que não
Amava
Ana
Que não foi para o convento
Pro vento
Que me parta
Se eu dou essa entrevista
Pra Carta
Passo uma semana
Na banca
No sereno
Me lembro
Luiz Fernando
Me cantando
Me filmando
Os olhos
Os ossos
Os verbos
Os tempos
Me dando colares
De Ana
Flagrando
Até um lábio no sorriso
Um filme no livro
O pai na mesa
O pau
O pão na enxada
O chão pra queda
Vai dar problema
O fascista narciso
E a pilantra
Bingo
E a cama
E a menina?
Uma equilibrista
Qual eu na revista
Esses campos
De Piratininga
São Paulo de Pindorama
Cidade nascendo
Com ordem
Da luz
O mundo
Da língua, úmida,
Ao pus
Ou ao ventre seco
O incenso
Enchendo
A sala
A página
O saco
Me diz
Que eu escrevo
Teu silêncio
Branco no preto
Fazenda de quietos prédios
Eles vão ver
Se vão
Me calo com a boca de feijão
(Encaminhei como carta ao Raduan Nassar em 2005.
Eu tentava entrevistá-lo nos 30 anos do clássico Lavoura Arcaica.
Meu poema traz referências a esse e a outros textos dele.
Quase deu certo.)
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