
– Vô, lambari também vai no céu?
– Andorinha, menino.
Escrevi esse breve textinho, um dos que chamo de iscas de zebra. Com o título “Vô e menino I”, é sucedido por “Vô e menino II”, quando a curiosidade volta, junto com o menino, minutos depois:
– Vô, andorinha é o lambari de Deus?
O vô começa a responder, no automático:
– Nós também, fi– e conclui – pegou minha maconha de novo!
Eu tinha, até aqui, dúvida sobre a verossimilhança. Uma criança faria mesmo essa analogia sofisticada e ao mesmo tempo absurda, de uma geometria espacial quase metafísica? O querido Luca, 5 anos incompletos, esclareceu a questão, ao soltar com toda a singeleza, em almoço familiar num parque da capital federal, a seguinte observação, sem qualquer demanda dos adultos:
Para quem tá lá em cima, a gente é que é o peixe.
Tipo de coisa que se pode chamar de poesia, como o grande Manoel de Barros pescou há tempos.
Tags: comportamento infantil, crianças, poesia
Novembro 22, 2007 às 7:43 am |
Perfeito!
Novembro 22, 2007 às 1:01 pm |
Esse Luca é, definitivamente, um grande pensador! E parabéns ao irmão Pedro pelo blog, por colocar no ar, com os peixes do céu, e na rede, com os pássaros que não se prendem, sua verve literária. Um dia, ela ficou restrita aos familiares e amigos mais próximos. Que se espraie de uma vez! Abraços, Tonho.
Novembro 22, 2007 às 2:41 pm |
Uau! Já estou acostumado com as tiradas do Luca, mas essa me surpreendeu!
Novembro 22, 2007 às 9:00 pm |
meninos pequenos ou grandes, mas meninos – possuem a lente da poesia na retina…
Novembro 23, 2007 às 7:49 pm |
coisas assim, bem simples, que colocam lagriminhas nos olhos.
lindo.